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Sócio da Ibiuna critica "aparelhamento" de agências reguladoras e "regras ineficientes"

08 de novembro de 2026
Sócio da Ibiuna critica "aparelhamento" de agências reguladoras e "regras ineficientes"

Destaques

  • •Rodrigo Azevedo, da Ibiuna Investimentos, aponta enfraquecimento da imagem institucional do Brasil no exterior.
  • •Gestor critica "aparelhamento" de agências reguladoras e "regras ineficientes" no setor de energia.
  • •Azevedo prevê "ajuste desordenado" nas contas públicas nos próximos quatro anos, com risco de câmbio e inflação altos.

O sócio da Ibiuna Investimentos, Rodrigo Azevedo, criticou o que chamou de enfraquecimento da imagem institucional do Brasil no exterior e o "aparelhamento" de agências reguladoras. As declarações foram feitas durante a Conferência MBA Brasil 2026, realizada em Chicago, nos Estados Unidos, nos dias 6 e 7 de novembro.

Segundo Azevedo, o Brasil, antes visto como um lugar onde a lei funciona, tem perdido essa reputação. Ele citou o setor de energia como exemplo de regras "ineficientes e anacrônicas", feitas para atender a interesses específicos, e mencionou a insegurança gerada pela atuação do Judiciário. "O ambiente institucional tem de funcionar de maneira justa", defendeu o gestor, afirmando que as instituições brasileiras estão sendo testadas e enfraquecidas.

Agências reguladoras sob escrutínio

Azevedo direcionou críticas às agências reguladoras, especialmente no contexto do governo Lula 3. Ele apontou um "aparelhamento" dessas entidades nos últimos cinco anos e expressou preocupação com a demora do governo em indicar nomes para essas posições, adiando-as para após as eleições. "Houve aparelhamento nas agências reguladoras nos últimos 5 anos. Lula deixou de indicar 36 nomes nas agências, ficou para depois das eleições. Isso é fonte de grande preocupação", declarou.

O gestor ressaltou que, apesar de o Brasil ainda ser considerado um local com instituições fortes, essa percepção está sob teste. A conferência reuniu executivos de grandes empresas brasileiras e internacionais para debater o cenário econômico e de empreendedorismo no país.

Política econômica e risco fiscal

O sócio da Ibiuna Investimentos também avaliou a política econômica promovida pelos governos do PT como "muito desequilibrada". Ele explicou que a velocidade do gasto público é mais alta para atender demandas sociais, enquanto o Banco Central tenta conter a inflação, gerando um ciclo de "pisa no freio".

Azevedo contrastou essa situação com o governo Temer, que, segundo ele, apresentou juros baixos (4,5% a 6% ao ano), câmbio estável e inflação na meta. Ele criticou a busca por "mágicas" para justificar juros altos e reforçou a necessidade de ajuste fiscal. "As pessoas querem mágica e inventam outra razão para o juro alto", afirmou.

O gestor também comentou as propostas do economista André Lara Rezende, considerando que a discussão sobre a redução da dívida pública via cortes agressivos da taxa Selic parte do princípio de que haverá um ajuste fiscal. "Toda a proposta dele parte do princípio da existência de que terá um ajuste fiscal. Se seguir essa premissa, de ter o ajuste fiscal, todo o resto vai se ajustar", disse.

Previsão de "ajuste desordenado"

Rodrigo Azevedo alertou para a probabilidade de um "ajuste desordenado" nas contas públicas nos próximos quatro anos. Ele argumentou que o Brasil não tem condições políticas para realizar um ajuste fiscal gradual, o que pode levar a medidas desordenadas que resultem em disparada do câmbio, aumento da inflação e recessão econômica. "Há probabilidade grande de termos ajuste desordenado nos próximos quatro anos", previu.

Azevedo explicou que, em cenários de ajuste desordenado, a inflação alta acaba forçando o ajuste. Ele mencionou que a proposta de André Lara Rezende, que prevê metas fiscais e monetárias de quatro a cinco anos e redução gradual da Selic, poderia gerar uma economia fiscal de cerca de 4% do PIB ao ano para uma dívida de 80% do PIB, mas ressalvou a dificuldade de implementação.

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