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Setor financeiro sofre 42 milhões de ataques cibernéticos em 6 meses

19 de outubro de 2026
Setor financeiro sofre 42 milhões de ataques cibernéticos em 6 meses

Destaques

  • •Instituições financeiras registraram 42 milhões de ataques cibernéticos no primeiro semestre de 2026.
  • •A vulnerabilidade Telnet da GoodTech e a falha Log4Shell continuam sendo vetores de ataque relevantes.
  • •A SonicWall sugere a arquitetura Zero Trust como resposta para mitigar riscos.

O setor financeiro registrou 42 milhões de ataques cibernéticos no primeiro semestre de 2026, conforme o Relatório de Proteção dos Serviços Financeiros divulgado pela SonicWall. As instituições financeiras enfrentam mais tentativas de invasão por dispositivo do que qualquer outro setor monitorado pela empresa, com o volume superando em mais do dobro a média geral.

O levantamento aponta que a alta concentração de ataques se deve à combinação de dados de alto valor, pressão regulatória intensa e dependência de infraestrutura legada, fatores que atraem adversários organizados. O relatório identificou 132.378 detecções de intrusão por dispositivo no período, sendo a vulnerabilidade de estouro de buffer do servidor Telnet da GoodTech responsável por 42,2 milhões de eventos de detecção, indicando a exploração ativa de sistemas bancários legados.

Vulnerabilidades persistentes e malware

O Log4Shell, uma falha de segurança divulgada há mais de dois anos, continua sendo um vetor relevante, gerando 35,6 milhões de eventos de detecção em aplicativos bancários e de pagamento sem correção. Mesmo vulnerabilidades com mais de uma década, como o Heartbleed, ainda registram tentativas de exploração.

A atividade de malware atingiu uma média de 39.341 ocorrências por firewall, posicionando o setor financeiro em segundo lugar em intensidade de malware por dispositivo, atrás apenas do setor de saúde.

Ransomware e a lógica dos ataques

Dez famílias de ransomware estavam ativas contra o setor no período, com destaque para REvil (Sodinokibi) e Prometheus, que têm organizações financeiras como alvo prioritário. Segundo Michael Crean, vice-presidente sênior de Serviços Gerenciados da SonicWall, a concentração de ataques se deve aos incentivos claros: dados valiosos, escrutínio regulatório e baixa tolerância a inatividade.

Crean ressalta que a dependência de infraestrutura legada, que não acompanhou o ritmo das ameaças atuais, atrai adversários organizados que exploram vulnerabilidades conhecidas. Essa combinação de fatores torna o setor um alvo estratégico.

Zero Trust como resposta arquitetônica

A SonicWall propõe o Cloud Secure Edge com modelo Zero Trust como alternativa arquitetônica. Essa abordagem aplica verificação no nível do aplicativo, não da rede, onde uma credencial valida o acesso a um sistema específico sem permitir acesso a outros ambientes. A identidade e a postura do dispositivo são verificadas continuamente.

Na prática, uma credencial comprometida em um ataque desbloquearia apenas um aplicativo, impedindo o acesso lateral a sistemas de pagamento ou infraestrutura adjacente. A migração de VPNs para o modelo Zero Trust representa uma mudança arquitetônica significativa, especialmente para instituições que gerenciam acesso de terceiros, integrações com parceiros e trabalhadores remotos em ambientes regulamentados.

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