Seguro para Favelas: O Mercado que Movimenta R$ 300 Bilhões Ignora o Risco
Destaques
- •Apesar de movimentarem R$ 300 bilhões anuais, as favelas brasileiras, onde vivem 17,2 milhões de pessoas, representam apenas 1% do mercado de microsseguros.
- •Moradores de favelas relatam que o seguro não é percebido como um produto para eles, comparando-o a uma Ferrari que não é para o cidadão comum.
- •A dificuldade em expandir o mercado de seguros para as favelas reside na necessidade de adaptar produtos, canais de distribuição e comunicação à realidade local, além de construir confiança.
A morte de uma familiar expôs a dura realidade financeira para Helen de Araújo, moradora da favela de Paraisópolis, em São Paulo. A necessidade de arcar com um funeral inesperado a fez buscar um seguro, evidenciando um paradoxo: a proteção é mais crucial para quem tem menos margem para imprevistos.
O mercado de seguros, que arrecadou apenas R$ 1,46 bilhão em microsseguros em 2025 (uma queda de 10,9% em relação ao ano anterior), parece ignorar o potencial das favelas, que movimentam R$ 300 bilhões em renda própria anualmente. A barreira não é apenas o preço, mas a percepção de que o seguro não é feito para esse público, como compara Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
A solução passa por adaptar produtos à realidade local, como os desenvolvidos pela Mapfre, e por envolver moradores na distribuição, transformando a venda de seguros em mais uma fonte de renda e aproximando a proteção de quem realmente precisa.



