Seguro cibernético deve ser padrão para PMEs, diz especialista

Destaques
- •Especialista defende que seguro cibernético seja opção de exclusão (opt-out) para pequenas e médias empresas.
- •Adoção atual é inferior a 25%, com corretores tratando a cobertura como um extra opcional.
- •IA aumenta escala e sofisticação das ameaças, exigindo que o seguro seja visto como continuidade de negócios.
O seguro cibernético precisa ser apresentado como parte padrão dos programas de seguro das pequenas e médias empresas (PMEs), e não como um complemento opcional, para que as seguradoras aumentem sua adoção no setor. A afirmação é de Steven Robinson, líder nacional da área de segurança cibernética da RPS.
Robinson defende que a cobertura cibernética, atualmente uma opção de adesão (opt-in), se torne uma opção de exclusão (opt-out). Ele estima que a penetração desse tipo de seguro entre as empresas menores seja inferior a 25%, indicando um "longo caminho a percorrer e uma grande oportunidade" para o mercado.
O problema na apresentação do produto
Segundo Robinson, o problema reside na forma como o seguro cibernético é comercializado. Diferentemente de seguros patrimoniais ou contra acidentes, que são apresentados como coberturas essenciais, o seguro cibernético é frequentemente tratado como um "extra opcional".
"Ainda vemos a cobertura cibernética sendo apresentada como: ‘Ah, talvez você queira considerar isso porque leu nas notícias’", disse Robinson, criticando a abordagem baseada em eventos pontuais.
IA e a escalada das ameaças
A inteligência artificial (IA) está ampliando a escala e a sofisticação das ameaças cibernéticas, tornando o seguro cibernético ainda mais crucial. Emily Licitra, vice-presidente sênior de responsabilidade profissional da Arch Insurance, expressou preocupação com o uso da IA por agentes de ameaças para atacar empresas em maior escala.
Licitra explicou que a IA está intensificando ameaças existentes, como phishing e ransomware, tornando-as mais rápidas e escaláveis. "A IA não está necessariamente mudando o que os invasores querem fazer", disse ela. "Está apenas mudando a rapidez e a escala com que eles querem fazer isso."
Uma preocupação de longo prazo é que a IA acelera a identificação de vulnerabilidades críticas, reduzindo o tempo entre a descoberta e a exploração. Isso diminui o tempo de reação para defensores e seguradoras, podendo se tornar um problema sistêmico.
Continuidade de negócios e simplificação
O setor de seguros deve abandonar as vendas baseadas no medo e apresentar o seguro cibernético como um produto de continuidade de negócios. "Isso é apenas parte do que você precisa para manter sua empresa funcionando, porque isso vai acontecer", afirmou Robinson, destacando que a IA apenas amplifica essa necessidade.
Para impulsionar a adoção, o mercado também precisa simplificar o processo de compra para empresas menores. A mudança para um modelo de exclusão (opt-out) tornaria a cobertura mais acessível e integrada às necessidades básicas de segurança das PMEs.
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