Scielo completa 28 anos: de projeto piloto a rede global de acesso aberto

Destaques
- •A plataforma Scielo, que nasceu de uma conversa em 1996, se tornou uma rede internacional de acesso aberto à produção científica.
- •A iniciativa, que começou com dez periódicos brasileiros, hoje indexa mais de 300 publicações nacionais e se expande para outros países.
- •O financiamento do projeto, antes majoritariamente da FAPESP, agora conta com maior participação do governo federal, indicando uma nacionalização.
A história da Scientific Electronic Library Online (Scielo), plataforma de acesso aberto à produção científica, começou em novembro de 1996, durante um almoço em Caxambu (MG), onde ocorria um evento de editores científicos. Na ocasião, Abel L. Packer, especialista em informática de bibliotecas, e Rogério Meneghini, bioquímico e assessor científico da FAPESP, discutiram a necessidade de melhorar a indexação e a distribuição da ciência brasileira.
Na época, a distribuição de periódicos científicos era cara e limitada, com pesquisadores estrangeiros enfrentando um processo burocrático e demorado para acessar artigos brasileiros. Packer, que trabalhava no Bireme (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), buscava modernizar esse sistema, enquanto Meneghini se preocupava com o fator de impacto (FI) das publicações nacionais, métrica que mede citações de artigos e que a FAPESP usava para orientar financiamentos.
A união de ideias para o acesso aberto
A ideia de digitalizar as revistas para facilitar o acesso às referências bibliográficas e, consequentemente, medir o FI, se uniu ao desejo de Packer de modernizar a distribuição. A proposta resultou em um projeto para o desenvolvimento de uma metodologia para a preparação e disseminação de publicações científicas eletrônicas, aprovado por José Fernando Perez, então diretor científico da FAPESP.
Em 1997, um projeto-piloto foi lançado com dez periódicos científicos de referência. A decisão crucial que impulsionou a relevância do Scielo foi a oferta de acesso aberto, disponibilizando os periódicos indexados gratuitamente para leitura e download por qualquer pessoa.
Expansão e nacionalização do projeto
Atualmente, a rede Scielo abrange 17 países, cada um com sua coleção nacional financiada e gerenciada localmente. A coleção brasileira conta com mais de 300 periódicos indexados, e há planos de expansão para a China e a Turquia.
Em 2024, o modelo de financiamento do Scielo passou por uma mudança significativa. Mantido quase integralmente pela FAPESP desde sua criação, o projeto agora conta com um consórcio onde o governo federal assumiu a maior parte do custeio, por meio da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Essa transição aponta para uma maior nacionalização do projeto.
Matérias originais
- O boletim Notícias FAPESP e a origem da rede Scielo · revistapesquisa.fapesp.br



