Ryanair alerta: voos na Europa podem subir até 20% com guerra no Irã

Destaques
- •CEO da Ryanair prevê aumento de 10% a 20% nas tarifas aéreas europeias devido à guerra no Irã.
- •A alta nos preços do combustível, que representa o segundo maior custo para companhias aéreas, impacta diretamente os custos operacionais.
- •Viajantes são aconselhados a reservar passagens com antecedência para evitar tarifas mais altas no próximo verão europeu.
Americanos que planejam viagens à Europa no próximo verão podem precisar aumentar o orçamento. O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, alertou que os voos de curta distância no continente, tradicionalmente mais baratos, podem se tornar até 20% mais caros no próximo ano. A previsão surge em meio à guerra no Irã, que elevou os preços dos combustíveis e impacta as cadeias de suprimentos globais.
Impacto da guerra no Irã nos combustíveis
A guerra no Irã, que já dura nove meses, afetou o fornecimento global de petróleo, elevando os preços do barril. O petróleo Brent, por exemplo, estava cotado a cerca de US$ 110 na segunda-feira, uma alta de 70% em relação ao ano anterior. O combustível de aviação é o segundo maior custo para as companhias aéreas, atrás apenas da mão de obra. A interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial, agrava a situação.
A Ryanair, maior companhia aérea da Europa em número de passageiros, estima que sua conta anual de combustível aumentará cerca de 2 bilhões de euros (R$ 12,3 bilhões) no próximo ano fiscal, que termina em março de 2028. Para cobrir esse custo adicional, O’Leary sugere que as tarifas aéreas precisarão subir 20%, o que representa cerca de 10 euros por passageiro. No entanto, ele mesmo reconhece que o aumento pode não cobrir totalmente a despesa.
Estratégias da Ryanair e concorrência
A Ryanair tem se protegido parcialmente do aumento dos preços dos combustíveis através do hedge de combustível, prática que consiste em fixar preços antecipadamente. A empresa garantiu 80% de suas necessidades de combustível até março de 2027 a US$ 67 por barril. Contudo, apenas 25% das necessidades para o próximo ano fiscal estão protegidas a US$ 95 por barril, deixando o restante exposto à volatilidade do mercado.
Para mitigar os custos, a companhia aérea está revisando despesas, incluindo congelamentos temporários de salários e índices mais baixos de tripulação. A Ryanair já reduziu sua meta anual de passageiros de 216 milhões para 214 milhões para o ano fiscal que termina em março. A empresa espera que o tráfego de inverno permaneça estável para limitar a exposição a combustíveis mais caros.
Consequências para os viajantes
O aumento previsto nas tarifas aéreas pode representar um golpe adicional para os viajantes americanos, que já enfrentam inflação, especialmente no setor de viagens. Nos EUA, as tarifas aéreas subiram 22,4% em setembro em comparação com o ano anterior. As principais companhias aéreas americanas, que abandonaram o hedge de combustível há anos, estão mais expostas ao aumento dos preços.
Para quem planeja visitar várias cidades europeias, o impacto pode ser significativo. Um voo de 50 euros que sobe 20% passaria a custar 60 euros. Multiplicado por vários destinos e membros da família, o custo total da viagem pode aumentar consideravelmente. O’Leary aconselha os viajantes a reservarem suas passagens o quanto antes, pois a espera pode resultar em tarifas mais altas.



