Roche supera vendas no 3º tri com Ocrevus, mas Xolair sente pressão de genérico

Destaques
- •Roche reportou receita de 16,13 bilhões de francos suíços no 3º trimestre, superando expectativas.
- •Vendas do medicamento Xolair ficaram abaixo do esperado após o lançamento de um genérico mais barato.
- •A farmacêutica busca reforçar seu portfólio com acordos externos diante do vencimento de patentes.
A farmacêutica suíça Roche superou as expectativas de vendas no terceiro trimestre de 2023, impulsionada pela forte demanda por medicamentos-chave como o Ocrevus. A receita do grupo cresceu 7% a taxas de câmbio constantes, atingindo 16,13 bilhões de francos suíços (US$ 19,61 bilhões), superando a previsão consensual de 15,75 bilhões de francos (US$ 19,15 bilhões).
Apesar do resultado geral positivo, o trimestre apresentou um sinal de alerta com as vendas do medicamento Xolair, que ficaram abaixo das previsões do mercado. O produto registrou 848 milhões de francos (US$ 1,03 bilhão), enquanto o consenso esperava 925 milhões de francos (US$ 1,12 bilhão). A queda na performance do Xolair é atribuída ao lançamento do primeiro genérico mais barato do medicamento.
Medicamentos-chave sustentam crescimento
A divisão farmacêutica da Roche foi liderada pelo tratamento para esclerose múltipla Ocrevus, cuja receita avançou 9% em moedas constantes, alcançando 1,84 bilhão de francos. Outros medicamentos de sucesso também contribuíram para o desempenho positivo, ajudando a sustentar o crescimento da empresa no curto prazo.
A administração da Roche também observou que o impacto negativo das reformas nos preços da saúde na China está diminuindo. A divisão de diagnósticos, que cresceu 5% e registrou receita de 3,54 bilhões de francos, deve retornar a um crescimento considerado normal no próximo ano.
Estratégia para o futuro: acordos externos e inovação
Diante da iminência de expirações de patentes de medicamentos importantes, a Roche intensifica sua estratégia de buscar acordos externos para incorporar tratamentos de última geração em seu portfólio. A empresa fechou um acordo avaliado em mais de US$ 15 bilhões com a chinesa Hansoh Pharma, conforme divulgado na segunda-feira.
O presidente-executivo Thomas Schinecker destacou que, nos últimos quatro anos, cerca de 50% dos acordos de licenciamento firmados pelo grupo foram realizados nos Estados Unidos, enquanto os outros 50% ocorreram na China e em outros mercados asiáticos. Ele comentou que essa distribuição reflete a situação da Europa em termos de inovação.
Impacto cambial e próximos passos
A Roche também se beneficiou da estabilização do dólar em relação ao franco suíço, o que reduziu o impacto das variações cambiais. O mercado norte-americano é responsável por quase metade da receita do grupo.
As ações da empresa caíam 1,1% no pregão da manhã após a divulgação dos resultados. A Roche continua focada em manter seu crescimento através de seus produtos atuais e da incorporação de novas terapias, enquanto navega pelos desafios de concorrência e expiração de patentes.



