Rio Grande do Sul: De reduto da esquerda a bastião do agronegócio

Destaques
- •Rio Grande do Sul, antes um reduto da esquerda, viu um crescimento da identificação com o agronegócio e a direita.
- •Apesar do avanço conservador, cooperativas ligadas ao MST prosperam na região, oferecendo oportunidades e alternativas de vida.
- •A transformação política e social do estado será detalhada em reportagem da BBC News Brasil.
O Rio Grande do Sul, historicamente um dos principais redutos da esquerda no Brasil, tem passado por uma notável transformação política e social, consolidando-se como um bastião do agronegócio e da direita. O estado, que já foi governado pelo PT por um longo período e viu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizar sua primeira grande mobilização, agora demonstra forte apoio a candidatos conservadores.
Em 2018 e 2022, Jair Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado no estado. Em 2026, seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), também liderou a votação em municípios com forte ligação histórica com o MST, como Ronda Alta e Pontão, onde o PT não perdia no primeiro turno presidencial desde 1989.
Avanço conservador e o agro
A mudança de cenário é atribuída, em parte, ao apoio do governo de Jair Bolsonaro ao agronegócio. Luis Fernando Costa Nunes, vereador do PL em Pontão e filho de pequenos agricultores, afirma que o agro se tornou mais bolsonarista devido a esse apoio.
A identificação de moradores com o agronegócio e a direita tem crescido em uma região antes marcada pela luta pela reforma agrária. Essa nova orientação política reflete uma mudança na base eleitoral e nas prioridades percebidas pelos eleitores locais.
Resiliência e alternativas do MST
Apesar do avanço conservador, cooperativas ligadas ao MST na região continuam a prosperar e servem como referência para o movimento em todo o país. Essas cooperativas oferecem oportunidades de trabalho e melhores condições de vida para os jovens nos assentamentos, incentivando-os a permanecer no campo.
Isaías Vedovatto, um dos pioneiros do MST em Pontão, reconhece o bolsonarismo como uma ameaça às conquistas do movimento. No entanto, ele expressa confiança na capacidade do MST de sobreviver e continuar oferecendo uma alternativa de vida baseada na coletividade, solidariedade e qualidade de vida.
A reportagem da BBC News Brasil, conduzida pelos jornalistas João Fellet e Felix Lima, investigou essa complexa transformação, explorando as dinâmicas sociais, econômicas e políticas que moldam o estado.



