Revolut investe US$ 1 bilhão na América Latina e mira expansão no Brasil

Destaques
- •Fintech britânica Revolut anuncia aporte de US$ 1 bilhão para expandir operações na América Latina, com foco especial no Brasil.
- •O investimento visa impulsionar a entrada em novos mercados como Argentina, Colômbia e Peru, além de fortalecer a presença em Brasil e México.
- •A companhia busca atrair clientes ativos e transacionando, priorizando qualidade sobre quantidade, e planeja tornar-se um banco completo no Brasil.
A fintech britânica Revolut anunciou um investimento de US$ 1 bilhão na América Latina, com o Brasil sendo o principal mercado de expansão da companhia fora da Europa. O aporte visa acelerar a entrada em novos países como Argentina, Colômbia e Peru, além de consolidar a atuação no Brasil e no México. A expectativa é que 25% dos novos clientes globais da Revolut venham da região nos próximos anos.
Expansão e foco na América Latina
O CEO da Revolut no Brasil, Glauber Mota, ex-sócio do BTG Pactual, afirmou que o investimento de US$ 1 bilhão é um valor mínimo garantido para a expansão na América Latina, podendo ser revisto conforme a necessidade. A estratégia da empresa se volta para a região devido à desaceleração do ritmo de crescimento na Europa, onde a Revolut já é dominante. A meta é que um em cada quatro novos clientes globais venha da América Latina.
O Brasil foi o primeiro mercado da Revolut na região, com entrada em 2023, e se tornou o maior mercado de expansão e o de maior velocidade de crescimento para a companhia. O México também apresentou um desempenho notável, com 1 milhão de clientes em oito meses, beneficiado pela licença bancária completa desde o início.
Estratégia de aquisição de clientes e produtos
A Revolut busca conquistar clientes ativos, que realizam transações, em vez de apenas acumular saldos. A estratégia de marketing no Brasil inclui patrocínios em eventos como a Fórmula 1 e parcerias com influenciadores de nicho, além de um trabalho de presença digital. A empresa se destaca pela oferta de câmbio com custos reduzidos, sem IOF e spread, e pelo cartão ultra, que oferece benefícios como acesso a assinaturas e salas VIP em aeroportos, com um programa de benefícios que custa R$ 249 mensais e retorna R$ 1,4 mil em assinaturas.
Inicialmente focada em conta global e investimentos no exterior, a Revolut expandiu sua atuação no Brasil com contas locais, cartões de crédito e o programa de benefícios. A empresa também atua como Sociedade de Crédito Direto (SCD), permitindo oferecer crédito com capital próprio, e almeja se tornar um banco completo no futuro, especialmente para otimizar o balanço ao crescer em empréstimos sobre depósitos.
Novos mercados e cenário competitivo
Além de Brasil e México, a Revolut está se preparando para lançar operações na Argentina, Colômbia e Peru. Na Colômbia, já obteve autorização bancária. No Peru, avançou na autorização regulatória. Na Argentina, adquiriu um banco inativo para renomeá-lo e iniciar operações no segundo semestre de 2027. A empresa não descarta uma futura entrada no Chile.
Apesar da forte concorrência de bancos tradicionais e fintechs como Nubank e Mercado Pago, a Revolut se apoia em sua experiência global, estrutura robusta e capital para sustentar investimentos de longo prazo. A companhia, que alcançou um valuation de US$ 115 bilhões, prioriza a qualidade dos clientes e a solidez do negócio, sem pressão por volume de usuários.



