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República Democrática do Congo testa vacinas contra novo surto de Ebola Bundibugyo

30 de outubro de 2026
República Democrática do Congo testa vacinas contra novo surto de Ebola Bundibugyo

Destaques

  • •Ensaios clínicos com vacinas candidatas contra o vírus Ebola Bundibugyo começaram na República Democrática do Congo.
  • •O estudo Tumaini avalia a vacina Ervebo, da Merck, e duas candidatas inéditas, ChAdOx1 BDBV e mRNA-1469, em um surto que já registrou mais de 10.000 casos.
  • •A eficácia das vacinas contra a espécie Bundibugyo é desconhecida, e o acompanhamento de contatos, crucial para o sucesso dos testes, enfrenta desafios no país.

A República Democrática do Congo iniciou testes com vacinas para combater o maior surto já registrado da espécie Bundibugyo do vírus Ebola. Até 25 de outubro, o país contabilizava 10.060 casos confirmados e 4.887 mortes, segundo autoridades de saúde congolesas. O surto, concentrado no leste do país, perto das fronteiras com Uganda e Ruanda, já é o segundo maior em número de casos na história do Ebola.

Início dos testes com vacinas candidatas

Na sexta-feira, 23 de outubro, começaram os testes com a vacina Ervebo, desenvolvida pelo laboratório farmacêutico Merck. Esta vacina é licenciada para prevenir a doença causada pelo vírus Ebola da espécie Zaire, mas sua eficácia contra a espécie Bundibugyo ainda é desconhecida. A vacinação faz parte do estudo Tumaini, o primeiro ensaio clínico a avaliar vacinas candidatas contra o vírus Bundibugyo. O primeiro participante recebeu a dose em Bunia, e até 27 de outubro, quatro pessoas haviam sido vacinadas, todas com contato com pacientes infectados.

Existem seis espécies de ebolavírus conhecidas. A espécie Zaire foi responsável pelas epidemias na África Ocidental (2014-2016) e em Kivu (2018-2020), onde a Ervebo foi utilizada com sucesso. No entanto, a variedade Bundibugyo, identificada em Uganda em 2007, ainda não possui vacina ou tratamento específico. Embora estudos em macacos sugiram proteção parcial, o ensaio Tumaini busca confirmar ou descartar a eficácia da Ervebo contra essa espécie.

Novas candidatas e metodologia do estudo

Caso a Ervebo não se mostre eficaz, duas candidatas inéditas serão testadas: a ChAdOx1 BDBV, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o Serum Institute of India, e a mRNA-1469, da Moderna. Ambas usam tecnologias distintas (vetor adenoviral e RNA mensageiro, respectivamente) e já estão em fase 1 de testes em humanos. A escolha de iniciar com a Ervebo se deve à sua disponibilidade e perfil de segurança conhecido.

O estudo Tumaini utiliza o esquema de vacinação em anel, onde contatos de pacientes confirmados e seus contatos próximos formam um grupo a ser vacinado. A comparação será feita entre participantes que receberem as diferentes vacinas candidatas. O desenho do estudo é adaptativo, permitindo a inclusão ou exclusão de vacinas conforme os dados chegam, similar aos ensaios da COVID-19. Os primeiros resultados são esperados em alguns meses.

Desafios e lições para o Brasil

Um obstáculo significativo é o acompanhamento de contatos, que no Congo está em 79,7%, abaixo dos 95% recomendados pela OMS. Em Kivu do Norte, essa taxa cai para 73%, especialmente em áreas de conflito armado. Além disso, a alta taxa de mortes comunitárias (64% na semana anterior ao início do estudo) indica que muitos casos não são diagnosticados e, portanto, não entram no anel de testes.

O surto já se espalhou geograficamente, com casos registrados no Quênia e na Nigéria, importados de áreas afetadas. A transmissão dentro de serviços de saúde é uma preocupação constante, pois os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras doenças, e o sangramento, um sinal de alerta, é menos frequente na espécie Bundibugyo. Uma revisão publicada no Journal of Hospital Infection destacou a importância do uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a necessidade de supervisão durante a retirada desses equipamentos para evitar a autocontaminação, especialmente em contextos de recursos limitados.

Para o Brasil, a lição é a importância da estrutura de risco e do treinamento das equipes de saúde. A transmissão em serviços de saúde pode ocorrer mesmo com a imunização, reforçando a necessidade de medidas de controle de infecção rigorosas e treinamento contínuo, como evidenciado pela experiência com a COVID-19. O Ministério da Saúde brasileiro ativou seu plano nacional de contingência para identificar e manejar casos suspeitos e contatos.

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