Raízen fecha acordo de R$ 22,4 bilhões com União para quitar dívidas tributárias

Destaques
- •Raízen e acionistas controladores fecham transação tributária com a PGFN e Receita Federal para débitos de R$ 22,4 bilhões.
- •Acordo prevê desconto de R$ 8,5 bilhões em multas e juros, com a Raízen quitando sua parte de R$ 16,7 bilhões com R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais e R$ 2,5 bilhões à vista.
- •A transação é uma condição para a implementação do plano de recuperação extrajudicial da companhia, que busca reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras.
A Raízen anunciou nesta quarta-feira (28) um acordo com a União para renegociar R$ 22,4 bilhões em dívidas tributárias federais de empresas do grupo. O acordo, negociado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal, prevê um desconto de R$ 8,5 bilhões em multas e juros sobre a parte da dívida que cabe à companhia pagar. A transação é considerada uma etapa relevante para a implementação do plano de recuperação extrajudicial da empresa.
Detalhes do acordo tributário
Do total negociado, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade da Raízen. Com os descontos concedidos, essa parte da dívida cai para R$ 8,2 bilhões. Para quitar esse valor, a empresa utilizará R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais ligados a prejuízos acumulados e pagará os R$ 2,5 bilhões restantes à vista. Prejuízos fiscais são perdas apuradas no cálculo de tributos que, dentro das regras legais, podem ser usados para reduzir impostos a pagar.
Os outros R$ 5,7 bilhões da dívida total ficam, em última instância, sob a responsabilidade dos acionistas controladores da companhia, Shell e Cosan (do empresário Rubens Ometto), conforme as regras aplicáveis. O comunicado não detalha como será paga essa parcela.
Recuperação extrajudicial em andamento
O acordo com a União faz parte da reorganização das finanças da Raízen, que enfrenta dificuldades para administrar suas dívidas. Em março, a companhia pediu recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras, além de valores devidos entre empresas do próprio grupo. Em julho, a Justiça de São Paulo aprovou o plano, que prevê a renegociação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões com bancos e investidores.
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores. Quando o plano obtém o apoio mínimo legal e é aprovado pela Justiça, suas condições passam a valer para todos os credores incluídos na negociação. O plano da Raízen também prevê a possibilidade de trocar parte das dívidas por participação na empresa, obter novos recursos com um aumento de capital e vender bens e negócios.
Contexto financeiro da empresa
A situação financeira da Raízen piorou nos últimos anos com a combinação de investimentos elevados, problemas climáticos que prejudicaram as safras de cana-de-açúcar e variações nos preços do açúcar. Os juros altos também aumentaram o custo das dívidas. No fim de dezembro de 2025, a dívida líquida da companhia chegou a R$ 55,3 bilhões. No terceiro trimestre da safra 2025/26, a empresa registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, sendo R$ 11,1 bilhões de um ajuste contábil.
O anúncio do acordo tributário acontece às vésperas de uma assembleia extraordinária de acionistas, marcada para sexta-feira (30), que deliberará sobre medidas importantes do plano de recuperação extrajudicial, como a eleição de um novo conselho de administração e alterações na estrutura de capital.
Matérias originais
- Raízen fecha acordo de R$ 22,4 bilhões com a União e abate R$ 8,5 bilhões em multas e juros · g1.globo.com
- Às vésperas de assembleia, Raízen fecha acordo para regularizar R$ 22,4 bilhões em dívidas com a União · investnews.com.br
- Raízen (RAIZ4) fecha acordo tributário de R$ 22,4 bilhões e terá desconto de R$ 8,5 bilhões · moneytimes.com.br



