QI Tech: a infraestrutura financeira por trás de marcas como Vivo e Wellhub

Destaques
- •A QI Tech, avaliada em US$ 2 bilhões, atua como a infraestrutura financeira para outras empresas oferecerem produtos como contas, pagamentos e crédito, mantendo a marca do cliente.
- •A empresa movimenta cerca de R$ 30 bilhões por mês em pagamentos e transações, com a infraestrutura de crédito representando 45% de sua operação, emitindo entre R$ 9 bilhões e R$ 12 bilhões mensais.
- •A QI Tech planeja um IPO entre 2027 e 2028 e busca expandir sua atuação para financiamento de veículos e seguros, além de projetar faturamento de R$ 2 bilhões para 2026.
A QI Tech, uma empresa de infraestrutura financeira avaliada em cerca de US$ 2 bilhões, tem se consolidado como a força por trás de diversas marcas conhecidas no mercado brasileiro, permitindo que elas ofereçam produtos financeiros sob sua própria identidade. Exemplos notáveis incluem a Vivo, que oferece contas, transferências, pagamentos e cartões através da plataforma da QI Tech, e a Wellhub, que utiliza a infraestrutura da empresa para processar operações de crédito destinadas a academias parceiras.
O modelo de negócio da QI Tech permite que empresas como a Vivo ofereçam serviços financeiros completos, como contas, transferências, pagamentos e cartões, mantendo a marca da operadora. Da mesma forma, a Wellhub utiliza a tecnologia da QI Tech para viabilizar o financiamento de academias, onde a QI Tech formaliza a operação, desembolsa o dinheiro e cede o crédito a um fundo.
Infraestrutura de Crédito: O Principal Valor do Negócio
Segundo Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech, a infraestrutura para empréstimos e financiamentos é a frente mais valiosa do negócio, representando cerca de 45% da operação. Ele destaca que, enquanto PIX e pagamentos se tornaram commodities, o crédito exige uma estrutura mais robusta e que entrega maior valor ao cliente. A empresa emite e processa entre R$ 9 bilhões e R$ 12 bilhões em crédito por mês, com um volume acumulado superior a R$ 100 bilhões desde sua fundação.
A QI Tech organiza suas operações em quatro unidades: identificação de clientes e prevenção a fraudes (10% do negócio), banking as a service (20% da operação, responsável pelos cerca de R$ 30 bilhões mensais em pagamentos e transações), infraestrutura de crédito (45%) e administração e custódia de fundos, com foco em crédito.
Crescimento, Segurança e Planos Futuros
Desde sua criação no fim de 2018, a QI Tech evoluiu de atender bancos e gestoras para integrar fintechs e grandes empresas através de APIs (interfaces de programação de aplicações) que permitem a troca automatizada de informações. A decisão de construir tecnologia própria desde o início foi crucial para escalar a operação e atender clientes que movimentam informações em alta frequência.
O aumento expressivo dos valores em trânsito, que chegam a R$ 180 bilhões sob administração, trouxe o desafio da segurança. Parte dos recursos captados em 2021 foi destinada à aquisição de competências em identificação de clientes e prevenção a fraudes. Mac Dowell projeta um faturamento de R$ 2 bilhões para 2026, com crescimento superior a 50% e margem Ebitda acima de 50%.
A empresa também avalia expandir sua atuação para financiamento de veículos e seguros. A abertura de capital, através de um IPO (oferta pública inicial de ações), está prevista para 2027 ou 2028, dependendo das condições de mercado e da preparação da empresa para seguir processos mais rígidos.



