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Psiquiatra alerta para riscos da pornografia no desenvolvimento cerebral de jovens

23 de outubro de 2026

Destaques

  • •Consumo precoce de pornografia pode levar a alterações no sistema de recompensa cerebral e prejuízos no controle de impulsos e regulação emocional.
  • •A psiquiatra Carmita Abdo destaca que o lobo frontal, responsável por funções executivas, só termina de se desenvolver por volta dos 25 anos, tornando jovens mais vulneráveis.
  • •Especialista recomenda diálogo aberto e educação sexual como estratégias preventivas contra o vício e seus impactos na vida adulta.

O consumo precoce e frequente de pornografia por crianças e adolescentes pode acarretar uma série de consequências negativas, incluindo a criação de uma fantasia onde a rejeição e imperfeições não existem, medo de relacionamentos reais, baixa autoestima e dificuldades em aceitar limites. A psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo alerta que essa exposição pode levar a alterações estruturais e funcionais no cérebro, impactando o desenvolvimento neurológico.

Segundo Abdo, estudos de neuroimagem indicam que o acesso a vídeos de sexo pode retardar o desenvolvimento cerebral na infância. O lobo frontal, parte do cérebro responsável por funções executivas, tomada de decisões e raciocínio, completa seu desenvolvimento apenas entre 21 e 25 anos. Jovens, portanto, ainda não possuem a capacidade plena de discernir o inadequado e podem ter dificuldade em interromper comportamentos negativos que geram prazer, como o acesso à pornografia.

O que configura vício e como afeta o cérebro

A psiquiatra explica que o vício em pornografia se caracteriza quando o acesso se torna incontrolável, com a pessoa se tornando refém do hábito, prejudicando outras atividades como sono, alimentação e vida social. O cérebro libera dopamina em resposta ao prazer, levando a uma busca repetitiva por essa sensação. Com o tempo, esse comportamento pode gerar mudanças cerebrais estruturais, especialmente em cérebros em desenvolvimento, tornando a pessoa mais suscetível a comportamentos compulsivos e à busca por estímulos cada vez mais intensos.

O vício em pornografia pode ser comparado a outros vícios, como drogas, jogo e comida, pois segue o mesmo princípio de busca por recompensa e bem-estar. A especialista ressalta que a pornografia, por ser facilmente acessível e privativa, torna-se um atrativo para jovens, que podem acabar se tornando reféns de práticas performáticas irreais, gerando prejuízos à autoimagem e dificuldades em estabelecer relacionamentos sexuais presenciais por receio de não corresponder às expectativas criadas.

Impactos na vida real e a importância da prevenção

O mundo virtual, incluindo a pornografia, pode levar crianças e adolescentes a se distanciarem da realidade, pois a recompensa e a ausência de frustração são encontradas no ambiente online. Isso pode resultar em uma visão negativa da vida real, fragilidade, vulnerabilidade e dificuldade em lidar com estressores comuns, como a rejeição. A falta de contato com limites no mundo virtual também pode se refletir na incapacidade de aceitar regras e normas sociais no mundo real.

A psiquiatra enfatiza que a prevenção do vício passa pelo diálogo aberto e pela educação sexual desde a primeira infância. É fundamental que pais e responsáveis se interessem pelo que os jovens buscam na internet, entendam seus interesses e conversem sobre o assunto de forma adequada à idade. Proibir o conteúdo pode, paradoxalmente, aumentar a curiosidade. A busca por informação e o apoio de familiares e redes sociais são cruciais para o tratamento e recuperação, que podem ser curados com adesão e suporte adequados.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Saúde Coletiva (Barueri) em 2026, intitulado "Impacto da Pornografia na Formação Neurológica dos Adolescentes de 13 a 18 Anos: Revisão Bibliográfica", analisou os efeitos da exposição à pornografia no desenvolvimento neurológico de adolescentes. A pesquisa, que realizou uma revisão integrativa da literatura, indica uma associação entre o consumo frequente de pornografia e alterações no sistema de recompensa cerebral, especialmente nas vias dopaminérgicas. Além disso, o estudo aponta possíveis impactos no controle inibitório, na tomada de decisão e na regulação emocional, com correlações observadas com sintomas ansiosos, depressivos e comportamentos compulsivos. A conclusão aponta que a exposição precoce e recorrente à pornografia pode influenciar o neurodesenvolvimento adolescente, ressaltando a necessidade de estratégias preventivas e educacionais baseadas em evidências.

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