Próximo governo enfrentará desafios na infraestrutura, de rodovias a portos

Destaques
- •O novo presidente terá que lidar com a atração de investidores para projetos de infraestrutura com menor viabilidade econômica.
- •Setores como saneamento e energia enfrentam gargalos e a necessidade de segurança jurídica e regras claras.
- •A continuidade dos projetos e a busca por novas modelagens de contratação serão cruciais para destravar a agenda de concessões.
O próximo governo brasileiro herdará uma agenda complexa de infraestrutura, com desafios que vão desde a atração de investidores para projetos de menor viabilidade econômica até o destravar de obras em setores como ferrovias e portos. A continuidade das concessões e a busca por novas modelagens de contratação serão cruciais para o desenvolvimento do país.
Nas rodovias, o Ministério dos Transportes planeja 11 certames federais para 2027, com investimentos estimados em R$ 55 bilhões. No entanto, o CEO da MoveInfra, Ronei Glanzmann, ressalta que a próxima gestão terá que viabilizar projetos com perfil diferente dos já concedidos, como a Régis Bittencourt e a Fernão Dias. A entrada de investidores regionais e o financiamento por debêntures são vistos como fatores promissores.
Novas modelagens e desafios no saneamento
No saneamento, os projetos para 2027 incluem PPPs de esgoto em Goiás e Rio Grande do Norte, com R$ 10,3 bilhões em investimentos. A diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias, aponta a necessidade de segurança jurídica, respeito aos contratos e regras claras na reforma tributária para assegurar a execução dos investimentos. A especialista alerta que concessões de longo prazo não podem ser revistas a cada mudança de governo sem comprometer a previsibilidade.
O advogado João Paulo Pessoa destaca que parte das oportunidades dependerá de mudanças nos modelos de contratação, como parcerias público-privadas (PPPs) e as chamadas "concessões light". O economista Carlos Lebelein observa que, em um setor que exige investimentos elevados, o BNDES é uma fonte relevante, mas a universalização também dependerá do mercado de capitais e de investidores privados.
Energia e logística: gargalos e oportunidades
No setor de energia, o desafio é aproveitar a oferta disponível, pois o gargalo está na conexão entre consumo e produção. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prepara um leilão para abril com quase R$ 13 bilhões em investimentos, que poderá incluir baterias na transmissão. O governo também pretende licitar o Bipolo Nordeste 2 para ampliar o escoamento da geração renovável. O CEO da PSR, Luiz Barroso, defende a revisão de subsídios e a incorporação do risco climático para atrair atividades como data centers e mineração.
A carteira ferroviária prevê R$ 160 bilhões em investimentos, com quatro concessões previstas para 2027, incluindo Malha Oeste e Ferrogrão. O setor portuário tem como pendência o leilão do Tecon 10, no Porto de Santos, cercado por divergências sobre regras de participação. Nos aeroportos, a expectativa é a repactuação de Viracopos e a continuidade do Programa Ampliar, que busca incorporar aeroportos regionais às concessões de grandes terminais.



