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Projeto de Cleocimara Reis Gomes é premiado por combater violência contra mulheres indígenas

05 de novembro de 2026
Projeto de Cleocimara Reis Gomes é premiado por combater violência contra mulheres indígenas

Destaques

  • •Iniciativa de Cleocimara Reis Gomes, que atua na conscientização de mulheres indígenas sobre violência de gênero, foi reconhecida com menção honrosa pelo Programa “Antes que Aconteça”.
  • •O projeto de Cleocimara busca combater a violência física, sexual, psicológica e patrimonial em 100 comunidades indígenas no noroeste do Amazonas, enfrentando a invisibilidade causada pela distância.
  • •O Programa “Antes que Aconteça” premiou práticas em oito categorias, com financiamentos de R$ 50 mil a R$ 200 mil, visando valorizar iniciativas de prevenção à violência de gênero no país.

A iniciativa de Cleocimara Reis Gomes, coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, foi reconhecida com menção honrosa pelo Programa “Antes que Aconteça” na noite de quarta-feira (4), em Brasília. O projeto, que atua no noroeste do Amazonas, visa conscientizar mulheres indígenas sobre os diferentes tipos de violência, combatendo a invisibilidade desses casos devido à distância dos grandes centros urbanos.

Cleocimara, que vive na comunidade de Cartucho, a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira (AM), trabalha junto a 23 povos em 100 comunidades indígenas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. Ela relatou à Agência Brasil que os índices de violência contra a mulher na região são elevados, mas raramente denunciados. O projeto busca sensibilizar as mulheres sobre seus direitos e desmistificar a ideia de que a violência faz parte da cultura indígena.

Tipos de violência e desafios enfrentados

O projeto de Cleocimara aborda a violência física, sexual, psicológica e patrimonial, que pode ter origem tanto em invasores de terra quanto em homens indígenas. A coordenadora destaca que as denúncias demoram a chegar devido às longas distâncias entre as comunidades, ressaltando a necessidade de mais equipamentos públicos voltados para a prevenção. Ela também mencionou pedidos de lideranças femininas para envolver homens como aliados no enfrentamento à violência.

A distância geográfica é um dos principais obstáculos para a denúncia e o acesso a direitos. A falta de infraestrutura e de serviços públicos especializados agrava a vulnerabilidade das mulheres indígenas, que muitas vezes se sentem isoladas e sem suporte para buscar ajuda.

Outras iniciativas premiadas

O Programa “Antes que Aconteça”, previsto pela Lei 15.398, premiou práticas em oito categorias, com financiamentos que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil. A cerimônia contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Entre os projetos vencedores está o da Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix (BA), na categoria “Justiça que acolhe mulheres”. Liderado pela marisqueira Cátia Chagas, o projeto apoia cerca de 600 mulheres, muitas delas mães solo, oferecendo atendimentos psicológicos, médicos e capacitação. Outra iniciativa destacada foi o projeto Dandara, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atende cerca de 500 mulheres em comunidades quilombolas com cursos e escuta cidadã.

A presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, Ana Beatriz Bernardes Nunes, ressaltou que mulheres quilombolas são vítimas de violência territorial, pois administram e protegem os territórios e a biodiversidade, tornando-se alvos de ameaças.

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