Formato do bumbum não indica níveis hormonais, dizem especialistas

Destaques
- •Influenciadoras associam formato das nádegas a níveis de estrogênio e cortisol.
- •Especialistas afirmam que genética, estrutura óssea e distribuição de gordura determinam o formato.
- •Mudanças hormonais significativas, como na menopausa, afetam a distribuição de gordura a longo prazo.
A forma do bumbum de uma pessoa não é um indicador confiável de seus níveis hormonais, como estrogênio ou cortisol, apesar de alegações recentes em redes sociais. A única maneira precisa de verificar esses níveis é através de exames de sangue. Influenciadoras têm sugerido que formatos específicos de nádegas, como o de coração, indicariam níveis saudáveis de estrogênio, enquanto um formato em H sinalizaria excesso de cortisol. No entanto, especialistas desmentem essa correlação direta e de curto prazo.
A determinação principal do formato das nádegas reside na genética, que define a estrutura esquelética, o tamanho e a forma dos músculos, além da predisposição ao acúmulo de gordura em determinadas áreas. A estrutura óssea da pelve, que varia entre indivíduos e é categorizada em obstetrícia (ginecóide, andróide, antropoide e platipeloide), serve como base para a fixação muscular e a distribuição de gordura. A pele, por sua vez, revela os contornos desses tecidos subjacentes, resultando em formatos de nádegas como H, A, O e V invertido, descritos por cirurgiões plásticos. A prega infraglútea, o sulco abaixo das nádegas, também contribui para a forma e posição da borda inferior.
O impacto de medicamentos e mudanças ao longo da vida
Medicamentos como os à base de GLP-1, utilizados para perda de peso, podem levar ao chamado “bumbum Ozempic”, caracterizado por nádegas mais achatadas ou flácidas. Isso ocorre devido à perda de gordura e massa muscular, além de alterações na pele. Mudanças mais significativas no formato das nádegas tendem a ocorrer mais tarde na vida das mulheres, especialmente após a menopausa. Com a diminuição dos níveis de estrogênio, a gordura corporal passa a ser depositada predominantemente na região abdominal, em vez de nos quadris e nádegas, como acontecia antes da menopausa. Essa é uma mudança lenta e de longo prazo influenciada pela alteração hormonal.
Alterações hormonais durante o ciclo menstrual, que causam retenção de líquidos, geralmente resultam em mudanças imperceptíveis no formato das nádegas. O envelhecimento também pode afetar a estrutura óssea e a elasticidade dos tecidos, contribuindo para alterações na região pélvica e nas nádegas, mas são processos graduais. O estresse, embora possa alterar os níveis de cortisol, não causa um deslocamento direto de gordura do bumbum para a barriga; a genética continua sendo o fator determinante na distribuição da gordura corporal.
Genética e riscos de intervenções
A ideia de que o formato das nádegas pode ser facilmente modificado é frequentemente disseminada nas redes sociais, assim como ocorreu com as covinhas nos quadris. Contudo, a genética é o fator preponderante, ditando a estrutura esquelética e muscular. Qualquer alteração substancial em características tão dependentes da genética geralmente requer intervenção cirúrgica.
É importante notar que procedimentos estéticos na região das nádegas estão entre os que apresentam maiores riscos de mortalidade. Portanto, a aparência das nádegas, por si só, não é um meio confiável para diagnosticar o estado hormonal de uma pessoa. A consulta médica e exames específicos são essenciais para uma avaliação precisa da saúde hormonal.



