Plataformas Digitais: A Nova "Partilha do Sensível" e Seus Efeitos

Destaques
- •O filósofo Jacques Rancière define a "partilha do sensível" como a organização da experiência e sensibilidade socialmente distribuída.
- •Plataformas algorítmicas moldam a "partilha do sensível" através da curadoria de conteúdo, perfilamento de usuários e design, influenciando quem pode participar do "comum".
- •A relação usuário-interface digital é uma via de mão dupla, onde a plataforma produz o usuário, e o "design" da plataforma reflete interesses específicos.
O filósofo francês Jacques Rancière, em sua obra "A Partilha do Sensível", explora a intrínseca relação entre estética e política, definindo-a como a forma como a experiência sensível se organiza e como essa sensibilidade é distribuída socialmente.
Essa perspectiva se torna particularmente relevante para entender como as arquiteturas de plataformas algorítmicas contemporâneas organizam uma "partilha do sensível" específica, moldando a experiência do usuário por meio de curadoria automatizada e perfilamento, o que determina quem tem acesso e como interage com o "comum" digital.
A relação entre o usuário e a interface digital é, portanto, uma via de mão dupla: a plataforma não apenas entrega conteúdo, mas também produz o "sujeito" que a utiliza, influenciada por princípios de psicologia behaviorista e psicometria digitalizada.
As consequências desse regime estético, que tende à homogeneização e ao imediatismo, afetam desde a vida psíquica até a esfera política, exigindo que a redução da complexidade subjetiva em face da complexificação das infraestruturas informacionais seja pauta política urgente.




