PL 'Anti-Sharia' na Câmara: Legislação Preventiva ou Islamofobia?
Destaques
- •Deputado propõe lei para impedir aplicação da Sharia no Brasil, mas é criticado por ser islamofóbico.
- •Analistas apontam que o projeto se baseia em premissas falsas e estigmatiza a comunidade muçulmana.
- •Projeto pode criminalizar práticas religiosas e é visto como artificial importação de um falso problema.
Um projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados, apelidado de “PL Anti-Sharia”, busca criar uma “legislação preventiva” para impedir a aplicação da lei islâmica no Brasil. A proposta, de autoria do deputado Luiz Philippe de Orléans, alega defender o Estado laico e os direitos fundamentais.
No entanto, a iniciativa tem sido alvo de críticas contundentes. A analista política Maynara Nafe acusa o projeto de “utilizar premissas falsas para estigmatizar a população muçulmana no Brasil”, associando-a a insegurança e extremismo, o que seria um teor “fortemente islamofóbico e xenofóbico”.
Nafe explica que a Sharia é o sistema de leis e orientações morais do islamismo, derivado do Alcorão e dos hádices, e que não há iniciativas estruturadas por parte da comunidade islâmica brasileira para implantá-la como código legal. Ela ressalta que os muçulmanos no Brasil estão plenamente integrados à sociedade e respeitam o ordenamento jurídico nacional, considerando o projeto uma “importação artificial de um falso problema para instrumentalização política”.
A analista também alerta para a vagueza do texto, que poderia levar à criminalização de práticas religiosas muçulmanas, como casamentos e divórcios baseados na tradição islâmica, e até mesmo a educação religiosa. Além disso, a proposta poderia justificar vigilância abusiva sobre mesquitas e centros islâmicos, algo que já ocorre, mas de forma agravada.
Um deputado estadual, Maurici, apresentou denúncia ao Ministério Público contra o deputado Orléans por publicações em redes sociais que estigmatizam a comunidade islâmica, configurando possível racismo religioso. Diversas entidades também divulgaram manifesto em repúdio ao projeto.
Adicionalmente, o autor do PL admitiu que a proposta contou com assessoria de grupos israelenses, levantando questionamentos sobre a soberania nacional e os verdadeiros interesses por trás da iniciativa. O deputado Orléans não se pronunciou sobre o caso até o momento.



