Petróleo R$ 110: Brasil seguro? Dólar alto e exportações tentam segurar inflação, mas o freio pode não ser suficiente.

Destaques
- •A alta do petróleo e a desvalorização do dólar têm sido um 'colchão' contra a inflação no Brasil.
- •No entanto, o choque inflacionário já se espalha para componentes mais persistentes da economia, afetando fretes e alimentos.
- •Medidas como desoneração de impostos e contenção de repasses pela Petrobras são estudadas, mas a defasagem internacional é um desafio.
O petróleo operando a US$ 110 o barril e um dólar mais fraco pareciam ser o escudo perfeito contra a inflação global para o Brasil. A lógica é que a commodity atrai dólares, valoriza o real e barateia importados.
Mas a conta não fechou. Economistas apontam que essa dinâmica não está contendo a pressão inflacionária, especialmente porque o choque inicial, antes restrito a itens voláteis, já se espalhou para componentes mais inerciais da economia.
O principal problema é o custo logístico: petróleo caro eleva o diesel, encarecendo fretes e, consequentemente, itens básicos como carnes e pães.
A Petrobras segura repasses e o governo estuda desonerar impostos, mas a defasagem em relação ao mercado internacional já beira os 64%. Distribuidoras já repassaram R$ 0,29 extras por litro.
Essa conjuntura pressiona a política monetária: juros internacionais altos limitam a queda da Selic. A expectativa de inflação em 2026 já pode saltar para 5,20%.
O espaço para cortes na taxa Selic parece encolher, com projeções indicando que ela pode ficar em 13% até o fim de 2026. Há risco de o Copom interromper os cortes se as projeções saírem da meta.
O resultado é que a inflação pode fechar o ano perto de 5%, mesmo com as medidas de contenção. 📉




