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Petróleo Brent atinge maior nível desde abril com tensões no Oriente Médio

23 de outubro de 2026
Petróleo Brent atinge maior nível desde abril com tensões no Oriente Médio

Destaques

  • •Preços do petróleo Brent e WTI disparam com renovadas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
  • •Ameaças de ataques entre EUA e Irã, e confrontos no Mar Vermelho elevam prêmio de risco.
  • •Mercado acompanha a evolução do conflito e possíveis impactos no suprimento global.

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira (23), com o Brent atingindo seu maior nível desde abril, impulsionados pelas renovadas tensões no Oriente Médio. O confronto entre houthis e a Arábia Saudita no Mar Vermelho, somado à expectativa de novos ataques entre os EUA e o Irã, elevou o prêmio de risco geopolítico sobre a commodity.

O petróleo Brent para dezembro subiu 3,13% (US$ 3,55), fechando a US$ 116,72 o barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). O contrato para janeiro avançou 2,80% (US$ 3,04), a US$ 111,70. Na Nymex, o petróleo WTI para dezembro registrou alta de 3,82% (US$ 3,80), a US$ 103,27. Na semana, o Brent acumulou valorização de 6,24% e o WTI, de 4,29%.

Escalada de tensões no Oriente Médio

O Irã alertou que, caso os EUA e Israel retomem ataques a seu território, Teerã responderá com ofensivas contra bases americanas, navios de guerra, aeroportos, oleodutos e alvos civis em países vizinhos no Golfo Pérsico, segundo o Wall Street Journal. Em paralelo, os embates entre houthis e sauditas levaram Washington a ordenar a saída de pessoal governamental não essencial e suas famílias do reino.

Analistas do ING apontam que os preços são sustentados mais pelo risco de interrupções no suprimento do que pelas condições atuais de oferta, que se mantêm resilientes. A previsão anterior de Brent a US$ 80 por barril no quarto trimestre agora parece inatingível, dada a ameaça de novos confrontos entre EUA e Irã, que mantêm um prêmio de risco geopolítico substancial.

Impacto no suprimento e reservas estratégicas

Em resposta às perdas de estoques e interrupções recentes, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) autorizou a liberação e propôs medidas envolvendo a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) para estabilizar o suprimento de combustíveis.

A preocupação com a escalada do conflito se estende ao Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. Embora o fluxo de exportações pela passagem tenha se recuperado, uma nova escalada pode comprometer esse avanço. O custo do transporte marítimo também influencia as cotações, com fretes mais caros elevando o preço final do petróleo entregue às refinarias e potencialmente reduzindo a rentabilidade do processamento.

A oferta de derivados de petróleo também enfrenta limitações, agravadas por ataques ucranianos a refinarias russas. Governos têm recorrido a estoques estratégicos para atender à demanda, e o presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona por medidas para reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas americanas.

Próximos passos e cenário geopolítico

A tendência de curto prazo para o petróleo bruto continua sendo de valorização, diante do risco de escalada dos conflitos no Oriente Médio antes das eleições israelenses e legislativas americanas. A expectativa é de que os preços sigam em alta no curto prazo, segundo a TD Securities.

Em outro front, o Kremlin informou que uma nova rodada de negociações trilaterais sobre a guerra na Rússia e Ucrânia está prevista para a primeira quinzena de novembro, nos Emirados Árabes Unidos.

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