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Papa não precisará de tratamento adicional para câncer de pulmão

22 de outubro de 2026
Papa não precisará de tratamento adicional para câncer de pulmão

Destaques

  • •Vaticano anuncia que cirurgia foi suficiente para remover o adenocarcinoma de pulmão do Papa Leão XIV.
  • •A decisão se baseia na detecção precoce e remoção completa do tumor, evitando a necessidade de quimioterapia ou radioterapia.
  • •Pontífice retorna às atividades públicas, mas manterá acompanhamento médico regular.

O Papa Leão XIV, de 71 anos, não precisará de tratamento adicional para o câncer de pulmão após a cirurgia realizada na semana passada, informou o Vaticano nesta quarta-feira (21). A decisão médica indica que a remoção cirúrgica do adenocarcinoma foi suficiente para erradicar a doença, que não se espalhou para outras partes do corpo.

A oncologia considera a cirurgia como tratamento completo quando o câncer é descoberto em estágio inicial e completamente extirpado. Tumores que atingem linfonodos, deixam células tumorais na margem do tecido removido ou apresentam certas mutações genéticas geralmente requerem terapias complementares, como medicamentos ou radioterapia. No caso do Papa, a nota assinada pelos médicos Luigi Carbone e Stefano Margaritora confirmou que a doença estava localizada e a cirurgia de 13 de outubro foi bem-sucedida.

Quando a cirurgia é o tratamento completo

O adenocarcinoma, tipo mais comum de câncer de pulmão, origina-se nas células que revestem as vias respiratórias e pode se formar na parte periférica do órgão. Quando o tumor é restrito ao pulmão e retirado em sua totalidade, as chances de cura são elevadas. O oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, destaca que a sobrevida em cinco anos pode chegar a 90% a 92% nos estágios iniciais, mas cai drasticamente em fases mais avançadas da doença.

A detecção precoce é crucial, mas desafiadora, pois o câncer de pulmão frequentemente cresce sem apresentar sintomas. Sinais como tosse persistente, falta de ar incomum, infecções respiratórias recorrentes e perda de peso inexplicada podem indicar a doença, conforme apontam Stefani e o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O tumor do Papa foi identificado em um exame de rotina, o que, segundo Stefani, aumenta significativamente as chances de cura.

No Brasil, a realidade é diferente: um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) indica que cerca de 87% dos pacientes com estadiamento registrado entre 2020 e 2025 descobriram a doença nos estágios 3 e 4. O Inca estima que apenas 15% dos casos são operáveis no momento do diagnóstico.

Análise pós-cirúrgica e próximos passos

Após a remoção, a peça cirúrgica é enviada para análise patológica. O cirurgião torácico Ricardo Terra, da Universidade de São Paulo (USP), explica que a retirada completa do tumor com margem de tecido saudável é um princípio fundamental para diminuir o risco de recidiva. O laboratório verifica a integridade dessa margem, mede o tamanho do tumor e examina os linfonodos, que podem indicar a disseminação das células cancerígenas.

Exames como o PET-CT, realizados antes da cirurgia, auxiliam no estadiamento, identificando a atividade tumoral e a presença de linfonodos suspeitos. Stefani enfatiza a importância do estadiamento adequado antes da operação para determinar se a doença ainda é cirúrgica. A análise laboratorial também busca mutações genéticas no tumor, essenciais para identificar terapias personalizadas.

No mesmo dia do anúncio do Vaticano, o Papa Leão XIV participou de sua primeira audiência semanal desde a cirurgia, acenando para o público na Praça de São Pedro. Embora dispensado de tratamentos adicionais, o pontífice continuará sob acompanhamento médico. O Inca recomenda tomografias regulares nos primeiros anos após o tratamento para monitorar o risco de recorrência ou o surgimento de novos tumores.

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