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Burnout feminino: Afastamentos crescem mais de 800% em quatro anos no Brasil

22 de outubro de 2026
Burnout feminino: Afastamentos crescem mais de 800% em quatro anos no Brasil

Destaques

  • •Afastamentos por burnout entre mulheres cresceram mais de 800% em quatro anos no Brasil.
  • •A sobrecarga feminina abrange dimensões social, institucional e política, com carga mental invisível e desigualdade de gênero.
  • •Prevenção do burnout feminino depende de políticas públicas de cuidado, igualdade salarial e ambientes de trabalho seguros.

Os afastamentos de trabalho por burnout entre mulheres no Brasil apresentaram um crescimento alarmante de mais de 800% nos últimos quatro anos. O tema, discutido pela psicóloga e escritora Ana Luiza Novis, destaca que o esgotamento profissional feminino é um fenômeno complexo, cujas raízes se estendem para além da jornada de trabalho.

Segundo Novis, o burnout em mulheres se manifesta em três dimensões interligadas. Na esfera social, a sobrecarga advém da manutenção de expectativas contínuas de cuidado, organização e resolução de problemas, muitas vezes com pouco reconhecimento. Essa carga mental invisível inclui pressão por desempenho, culpa materna e injustiças de gênero, como demissões durante a gravidez ou menopausa. Dados do IBGE indicam que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos, o dobro do tempo dedicado pelos homens (11 horas).

A dimensão institucional e a cultura do trabalho

Na dimensão institucional, as organizações são frequentemente projetadas para um modelo de trabalho que ignora as responsabilidades de cuidado. Isso resulta em um ambiente onde profissionais com filhos, por exemplo, são pressionados a agir como se não os tivessem. A cultura de disponibilidade permanente, jornadas prolongadas, metas excessivas e o baixo reconhecimento contribuem para o esgotamento.

Além disso, muitas mulheres ainda enfrentam assédio moral e sexual no ambiente de trabalho. Comentários sobre aparência, interrupções constantes, desqualificação de competência e abuso de poder são exemplos de violência psicológica que afetam severamente a saúde mental.

Políticas públicas e o cuidado com quem cuida

A dimensão política do burnout feminino levanta a questão crucial de quem cuida daqueles que cuidam. A psicóloga enfatiza que a prevenção desse fenômeno exige ações que vão além do indivíduo, necessitando de escolhas políticas e sociais significativas. Entre as medidas apontadas estão políticas públicas de cuidado, ampliação do número de creches, licença parental compartilhada, igualdade salarial e combate ao assédio.

Novis também ressalta a alta exaustão em profissões de cuidado, como na área da saúde, que lidam com alta complexidade, precariedade de infraestrutura, insatisfação salarial e poucas oportunidades de crescimento. Ela critica a atitude de indivíduos "viciados em desempenho" que trabalham excessivamente e minimizam o problema.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado em 2026 no Journal of Medical and Biosciences Research, intitulado "Burnout em mulheres: Sobrecarga invisível entre trabalho, maternidade e vida pessoal", analisou os fatores associados ao desenvolvimento do burnout em mulheres. A pesquisa, uma revisão integrativa da literatura entre 2015 e 2025, evidenciou que o burnout está ligado à sobrecarga de trabalho, desigualdade de gênero, suporte social insuficiente e condições laborais inadequadas.

Os resultados indicam impactos negativos na saúde física e mental, como ansiedade, depressão e redução da qualidade de vida, além de repercussões no desempenho profissional e aumento do absenteísmo. O estudo conclui que o burnout em mulheres é multifatorial e requer estratégias de enfrentamento individuais, organizacionais e políticas públicas focadas na equidade de gênero e na saúde mental no trabalho.

A discussão sobre burnout em mulheres ganha relevância em um contexto onde a saúde mental é cada vez mais discutida. Fatores modificáveis para prevenir demências, como depressão e isolamento social, também são relevantes, especialmente considerando que dois terços dos pacientes com Alzheimer são mulheres.

Pesquisa citada

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