Pânico Moral vs. Realidade: Onde o perigo para crianças realmente mora no Brasil

Destaques
- •Discurso da direita foca em ameaças externas, mas dados mostram que o lar é o principal palco da violência infantil.
- •66% dos estupros e estupros de vulneráveis ocorrem dentro de casa, com familiares sendo os principais agressores.
- •A subnotificação de casos e o 'pânico moral' desviam o foco da proteção infantil para agendas políticas.
Enquanto a narrativa conservadora aponta o perigo para crianças nas escolas, minorias ou conteúdos diversos, a dura realidade brasileira revela que o lar é o principal palco da violência infantil. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que 66% dos estupros e estupros de vulneráveis ocorrem dentro de casa.
O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ainda indica que 45,5% dos agressores são familiares da vítima, chegando a 59% quando se trata de crianças menores de 14 anos. Essa estatística é ainda mais alarmante ao considerar que 84% das situações de violência reportadas ao Disque 100 têm agressores dentro da própria família.
Essa inversão de foco, alimentada pelo 'pânico moral', não só desvia o olhar da instituição que mais precisa de vigilância – a família – como também protege agressores e dificulta a denúncia, especialmente quando o agressor é um membro do lar. A subnotificação, que esconde a real dimensão do problema, é parte integrante do crime.



