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Pague Menos acusa Mercado Livre de concorrência desleal na venda de medicamentos

30 de outubro de 2026
Pague Menos acusa Mercado Livre de concorrência desleal na venda de medicamentos

Destaques

  • •CEO da Pague Menos alega que Mercado Livre não se submete às mesmas regras regulatórias e vende produtos de origem duvidosa.
  • •Ação do Mercado Livre no setor farmacêutico gerou queda nas ações de redes como Pague Menos, RD Saúde e Panvel.
  • •Anvisa notificou o Mercado Livre, e a associação Abrafarma também apura a atuação da plataforma.

A guerra entre o Mercado Livre e as redes varejistas farmacêuticas ganhou um novo capítulo com declarações de Jonas Marques, CEO da rede Pague Menos. Ele acusa o marketplace de operar em desacordo com as regulamentações sanitárias e de praticar concorrência desleal na venda de medicamentos, incluindo canetas emagrecedoras e produtos de marca própria da Pague Menos, como os da linha Dauf.

"O Mercado Livre comprou uma pequena farmácia [...] e quer atender o Brasil todo, sem se submeter às mesmas regras. A empresa tem vários processos de falsificação de produtos farmacêuticos e de perfumaria e não se responsabiliza por isso", afirmou Marques ao NeoFeed. Ele questiona como a plataforma consegue vender produtos sem comprovar sua origem e cobra providências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Regulamentação e segurança jurídica em jogo

A legislação brasileira, atualizada em março deste ano, permitiu que farmácias contratem plataformas para logística e entrega, mas não autorizou a venda direta por canais de marketplace. Uma resolução da Anvisa de 2009 veta a comercialização de medicamentos em sites sem conexão com redes varejistas autorizadas. A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) já enviou um ofício à Anvisa para apurar a atuação do Mercado Livre, que foi notificado pela autarquia.

As redes varejistas veem a entrada do Mercado Livre como uma quebra da segurança jurídica e um risco à saúde pela falta de controle sobre o que é vendido. O mercado financeiro reagiu negativamente à novidade em setembro, com ações da Pague Menos caindo 8%, RD Saúde (dona da Raia e Drogasil) recuando 5,38% e Panvel em baixa de 4,9%. Após a notificação da Anvisa, as ações se recuperaram.

O modelo de negócio e a visão do Mercado Livre

Jonas Marques ressalta que nenhum marketplace global se consolidou na venda de medicamentos, citando o exemplo da Amazon com a compra da Pillpack. Ele defende a confiança e a relação próxima com o farmacêutico e a loja física como essenciais. Embora canais digitais representem 24,1% do volume de vendas da Pague Menos, com receita online de R$ 1 bilhão no segundo trimestre, Marques descarta parceria com o Mercado Livre.

O Mercado Livre informou que mantém diálogo com a Anvisa e reafirma seu compromisso com o acesso a medicamentos. A empresa iniciou a venda de medicamentos isentos de prescrição em março, expandiu para os que não exigem retenção de receita em julho e, em setembro, para os com retenção. Em outubro, iniciou a operação no modelo marketplace (3P), conectando consumidores a farmácias em São Paulo, mas não revela o número de parceiros. Fernando Yunes, vice-presidente do Mercado Livre, declarou em setembro que a ideia não é competir com as farmácias, mas tê-las vendendo na plataforma.

Expansão da Pague Menos e cenário econômico

Enquanto a batalha jurídica e regulatória se desenrola, a Pague Menos planeja sua expansão. Com 1.700 lojas, a rede pretende abrir cerca de 50 novas farmácias até o fim do ano e retomar o ritmo de 10% de crescimento anual, o que significaria 170 novas lojas. A empresa vê um horizonte de queda da taxa Selic para perto de 10% ao ano até o fim de 2027 como um fator positivo para a expansão, pois cada ponto percentual de queda nos juros permitiria a abertura de 10 a 15 novas lojas. No segundo trimestre, a Pague Menos reportou receita líquida de R$ 3,9 bilhões (alta de 8%) e lucro líquido de R$ 73,6 milhões (aumento de 22%).

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