Pacote de bondades do governo pode impactar R$ 300 bi e exigir remanejamento em 2027

Destaques
- •Medidas anunciadas pelo governo federal podem adicionar 1 ponto percentual do PIB à dívida bruta em 2026.
- •Novas despesas, como o reajuste do Bolsa Família (R$ 23 bilhões), não constam na proposta orçamentária de 2027.
- •O mercado financeiro aguarda detalhes sobre a fonte de custeio e o impacto fiscal das novas medidas.
Às vésperas do segundo turno, o chamado "pacote de bondades" anunciado pelo governo federal está gerando dúvidas sobre o impacto nas contas públicas. Segundo Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), o conjunto dessas ações deverá exigir um remanejamento de despesas no orçamento de 2027.
Andrade alertou que, considerando a projeção atual da IFI para a dívida bruta no final de 2026, essas medidas representariam um ponto percentual do PIB a mais de impacto. O problema é que a proposta orçamentária de 2027, já encaminhada ao Congresso, não contempla essas novas despesas, como o reajuste do Bolsa Família, que sozinho deve gerar um impacto de cerca de R$ 23 bilhões.
A falta de uma fonte de custeio clara e o fato de as despesas terem sido criadas sem previsão orçamentária podem gerar desconfiança no mercado. Para 2027, a meta de resultado primário já está fixada em 0,5% do PIB, tornando o cenário ainda mais desafiador para acomodar os novos gastos.


