Outubro de 2026 é o mais quente já registrado; El Niño intensifica crise climática

Destaques
- •Outubro de 2026 registrou a maior temperatura média global já vista, 1,75°C acima dos níveis pré-industriais.
- •O fenômeno El Niño, intensificado no Pacífico, contribui para o aquecimento recorde e provoca impactos contrastantes no Brasil, como secas no Norte/Nordeste e chuvas intensas no Sul.
- •Cientistas alertam para o aumento do risco de eventos climáticos extremos e a necessidade urgente de adaptação e redução de emissões.
Outubro de 2026 se tornou o mês mais quente já registrado globalmente, com a temperatura média do ar na superfície atingindo 1,75°C acima dos níveis pré-industriais. Este é o terceiro mês consecutivo em que a marca de 1,5°C, meta estabelecida pelo Acordo de Paris, é superada. Segundo o serviço climático Copernicus, da União Europeia, há uma probabilidade de 99% de que 2026 seja o segundo ano mais quente da história, com 20% de chance de igualar ou superar 2024, atualmente o ano mais quente.
A intensificação das condições do El Niño no Pacífico tropical contribui significativamente para este aquecimento. A anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atingiu um recorde histórico de 3,21°C acima da média. A temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares também bateu recorde para o mês, com 20,95°C.
Impactos contrastantes no Brasil
No Brasil, o fenômeno El Niño provoca efeitos distintos. Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é de seca e ondas de calor, com potencial aumento de incêndios florestais devido à vegetação inflamada. O climatologista Carlos Nobre alertou que a grande maioria desses incêndios é ilegal e associada ao desmatamento.
Em contrapartida, o Sul do país enfrenta excesso de chuvas, com tempestades intensas, ciclones extratropicais, vendavais e um aumento recorde no número de tornados. Nobre destacou que cidades nessa região não possuem infraestrutura adaptada para lidar com tornados, diferentemente de áreas nos Estados Unidos onde construções subterrâneas são comuns para abrigar a população.
Mecanismos e riscos do aquecimento
O aquecimento oceânico intensifica a evaporação, o que, por sua vez, acelera os ventos no hemisfério sul e aumenta os volumes de chuva. Esse fluxo acelerado potencializa eventos extremos, como secas severas na Amazônia e no Nordeste, e chuvas pesadas no Sul. A velocidade do jato subtropical também aumenta, fazendo o ar subir com mais intensidade.
Cientistas alertam que um aquecimento acima de 1,5°C aumenta drasticamente o risco de eventos climáticos severos, como ondas de calor, secas e inundações. O climatologista Carlos Nobre ressaltou que, com o aquecimento global, todos os fenômenos hidrometeorológicos tendem a bater recordes no mundo inteiro.
Prevenção e adaptação
Diante do cenário, a prevenção se torna crucial. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que milhões de brasileiros vivem em áreas vulneráveis a enchentes e deslizamentos. Um estudo de 2018 revelou que 10 milhões de pessoas estão em áreas de risco e 2 milhões em áreas de altíssimo risco, que não deveriam ser habitadas.
A adaptação a esses fenômenos extremos é defendida como prioridade absoluta. O aquecimento contínuo dos oceanos e o acúmulo de energia na atmosfera fazem com que eventos extremos, antes raros, ocorram com muito mais frequência. A redução das emissões de gases de efeito estufa é fundamental para mitigar os impactos futuros.
Matérias originais
- Após Outubro Mais Quente Já Registrado, 2026 Deve Superar 1,5°C Acima do Nível Pré-industrial, Diz UE · forbes.com.br
- Super El Niño quebra recorde de aquecimento de mais de 40 anos e acende alerta no Brasil · olhardigital.com.br
- Outubro de 2026 é o mês mais quente da história, diz Copernicus · poder360.com.br


