Otimismo e raiva afetam risco cardiovascular, aponta estudo

Destaques
- •Otimismo pode atenuar o risco de doenças cardiovasculares, enquanto a raiva pode amplificá-lo, segundo pesquisa.
- •Um estudo com mais de 4.300 pessoas associou otimismo a um risco 35% menor de eventos cardiovasculares.
- •A cardiologia discute a importância de fatores psicológicos e sociais na saúde do coração, além dos tradicionais.
A inteligência artificial avança rapidamente, transformando áreas como a medicina e a cardiologia ao analisar milhões de dados em segundos. No entanto, a reflexão sobre seu impacto vai além da tecnologia, tocando na própria humanidade. Máquinas não possuem valores, compaixão ou a capacidade de encontrar significado, características essenciais na relação médico-paciente.
A ciência tem demonstrado que aspectos psicológicos e sociais influenciam a saúde do coração. Um estudo publicado neste ano, com dados do Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA), acompanhou 4.326 pessoas por 19 anos e registrou 879 eventos cardiovasculares. Os pesquisadores observaram que o otimismo atenuou a associação entre desvantagens socioeconômicas e doenças cardiovasculares, enquanto a raiva pareceu amplificar esse risco. O efeito protetor do otimismo foi mais evidente em participantes negros.
Otimismo e saúde do coração
Este resultado reforça a ideia de que a saúde cardiovascular não depende apenas de fatores biológicos como colesterol, pressão arterial e glicemia. Condições sociais, econômicas e as experiências de vida também são cruciais. A forma como lidamos com essas circunstâncias, como o otimismo, que mantém a esperança de melhora mesmo diante de dificuldades, parece ter relevância para o coração.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada no JAMA Network Open, analisando 15 estudos com 229.391 participantes, já havia encontrado uma associação entre otimismo e menor risco de eventos cardiovasculares. O otimismo esteve ligado a um risco 35% menor de eventos cardiovasculares, com um acompanhamento médio de 13,8 anos.
O papel da espiritualidade e da humanidade
Embora o otimismo não seja uma cura isolada para doenças cardíacas, ele aponta para uma dimensão do cuidado que pode ter sido negligenciada. A espiritualidade, entendida como propósito, significado e conexão, também entra nessa discussão. Cuidar de uma doença cardiovascular envolve mais do que prescrever medicamentos; requer que o paciente compreenda a necessidade do tratamento, encontre razões para mudar hábitos e permaneça engajado.
Enquanto a inteligência artificial pode sugerir o melhor medicamento, ela não pode responder à pergunta fundamental: "por que vale a pena cuidar de mim?". A tecnologia auxilia na análise de dados e diagnósticos, mas a humanidade na relação médico-paciente ganha valor. Precisamos de algoritmos inteligentes e de seres humanos cada vez mais humanos, capazes de oferecer significado e vínculo no cuidado à saúde.
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