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El Niño intensifica chuvas no Sul e seca no Centro-Norte; geleiras derretem

02 de novembro de 2026
El Niño intensifica chuvas no Sul e seca no Centro-Norte; geleiras derretem

Destaques

  • •Fenômeno El Niño causa chuvas intensas no Sul e seca no Centro-Norte do Brasil, com pico previsto para novembro e dezembro.
  • •Relatório alerta para risco de perdas irreversíveis de gelo global e elevação do nível do mar, com consequências para a costa brasileira.
  • •Especialistas pedem ações urgentes para reduzir emissões e evitar aquecimento global acima de 1,5°C, com metas mais ambiciosas de descarbonização.

O fenômeno El Niño está alterando drasticamente os padrões climáticos no Brasil. Para novembro, a previsão indica uma redução expressiva das chuvas no Centro-Norte do país, enquanto o Sul deve registrar volumes acima da média histórica. O ápice do fenômeno é esperado entre novembro e dezembro, quando a temperatura no Oceano Pacífico atingirá seu máximo.

O analista de clima Pedro Côrtes destacou que o El Niño já modificou o padrão de chuvas em São Paulo, com precipitações ocorrendo mais cedo do que o usual. A tendência é de que essas mudanças se acentuem.

Distribuição regional das chuvas e seus impactos

O Sul do Brasil, incluindo oeste de Santa Catarina e Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, e partes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, deve experimentar um aumento nas chuvas. Em contrapartida, a região Centro-Norte enfrentará uma redução significativa de precipitações, o que preocupa a agricultura e a geração de energia elétrica devido à menor disponibilidade de água nas usinas hidrelétricas.

A combinação de menos chuva e temperaturas elevadas na região Norte cria condições propícias para o aumento das queimadas. A floresta amazônica terá sua umidade reduzida, facilitando a propagação de incêndios e dificultando o combate devido à baixa disponibilidade de água e aos baixos níveis dos igarapés.

Alerta sobre derretimento de geleiras e elevação do nível do mar

Um relatório de 80 cientistas alerta para o risco de perdas irreversíveis de gelo no planeta se a temperatura global ultrapassar 1,5°C. O degelo das geleiras contribui diretamente para a elevação do nível dos oceanos, aumentando a erosão costeira, como observado em Balneário Camboriú (SC), onde houve redução da faixa de areia. Uma geleira próxima à Estação Brasileira na Antártida também tem diminuído.

O derretimento dos mantos polares na Groenlândia e Antártida já está seis vezes mais rápido que na década de 1990. O aumento do nível do mar pode atingir entre 50 centímetros e 1 metro até 2100, ultrapassando os limites adaptáveis de regiões costeiras. A entrada de água doce nos oceanos também causa dessalinização e acidificação, prejudicando ecossistemas como recifes de corais.

Ações urgentes para conter o aquecimento global

Especialistas defendem que o mundo ainda pode limitar o aquecimento global entre 1,7°C e 1,8°C até 2100, e retornar a 1,5°C, se as emissões de gases de efeito estufa forem drasticamente reduzidas. Metas mais ambiciosas de descarbonização são necessárias, com cortes de 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em comparação com 2025.

A transição energética é apontada como primordial, com nações acelerando a transição de combustíveis fósseis para atingir emissões líquidas zero (net zero) até meados deste século. Reduzir emissões de metano e fuligem, ligados ao desmatamento e pecuária, também é crucial. Sistemas de prevenção e resiliência climática devem ser priorizados, assim como o financiamento para países pobres na transição energética.

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