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Oposição venezuelana vai às ruas por eleições e mudanças políticas

23 de outubro de 2026
Oposição venezuelana vai às ruas por eleições e mudanças políticas

Destaques

  • •Milhares de venezuelanos protestaram em todo o país exigindo eleições e reformas políticas.
  • •A mobilização oposicionista ocorre em meio a negociações com o governo interino e incertezas sobre o futuro eleitoral.
  • •A oposição cobra a realização de eleições e a libertação de presos políticos, enquanto o governo contesta as acusações.

Milhares de pessoas foram às ruas da Venezuela nesta quinta-feira (22/10) para pressionar as autoridades por eleições e mudanças no sistema político. A mobilização, liderada por setores da oposição ao governo interino de Delcy Rodríguez, ocorreu em várias cidades e representa o primeiro protesto oposicionista de alcance nacional em quase dois anos. Os atos acontecem em um momento de incerteza sobre o futuro político venezuelano.

Desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro, a presidente interina Delcy Rodríguez passou a manter uma relação de cooperação com os Estados Unidos. Apesar de Donald Trump e Rodríguez terem declarado que haverá eleições, ainda não existe uma data anunciada para a realização das disputas legislativas e presidenciais.

O que a oposição exige

María Corina Machado, principal liderança da oposição e laureada com o Nobel da Paz, defende que o processo eleitoral ocorra antes de julho de 2027. A mobilização foi articulada pelo Vente Venezuela e teve manifestações em Caracas, Valência, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo. Em Maracay, a jovem Leosmary Hernández, de 18 anos, estudante de cosmetologia, relatou as dificuldades econômicas e os obstáculos para estudar, mas disse manter expectativas positivas em relação ao futuro do país.

A disputa ocorre após décadas de confrontos entre o governo venezuelano e grupos opositores. O movimento socialista governa o país desde 1999, quando Hugo Chávez assumiu a Presidência, permanecendo no poder posteriormente com Nicolás Maduro. Nesse período, protestos motivados pela crise econômica, pela inflação, pela deterioração dos serviços públicos e por denúncias de repressão política foram, em diferentes ocasiões, alvo de ações das forças de segurança.

A resposta do governo e as negociações

No mesmo dia das manifestações oposicionistas, o Partido Socialista mobilizou seus apoiadores na capital venezuelana. A marcha percorreu o trajeto entre a Plaza Venezuela e uma área próxima ao palácio presidencial, sob a justificativa de promover a conscientização sobre o câncer de mama. Diosdado Cabello, ministro do Interior e figura influente no aparato de segurança do país, participou do ato exibido pela televisão estatal. Para evitar a concentração dos dois grupos no mesmo local, os opositores transferiram sua manifestação para uma área próxima.

As perspectivas de mudança também dependem das negociações em andamento entre o governo interino e representantes de setores da oposição, com apoio de Washington. As discussões envolvem possíveis alterações na Suprema Corte de Justiça e no Conselho Nacional Eleitoral, com a proposta de criar condições mais equilibradas para futuras eleições. A rodada mais recente ocorreu neste mês.

O grupo político de Machado, contudo, não participa das conversas. A dirigente afirmou que não pretende impedir o avanço das negociações, embora ainda existam incertezas sobre a implementação das reformas e seus prazos.

Presos políticos e anistia

Além da realização de eleições, os manifestantes cobraram a libertação de pessoas detidas por motivos políticos. O Foro Penal, organização que oferece assistência jurídica a presos e integrantes da oposição, estima que mais de 320 pessoas continuem nessa situação no país. O número permanece elevado apesar das libertações promovidas neste ano com base em uma lei de anistia aprovada pelo Poder Legislativo.

O governo venezuelano contesta as acusações de manter presos políticos e considera a anistia uma medida generosa. A divergência sobre as detenções, somada à falta de datas para as eleições, mantém a pressão da oposição sobre as autoridades interinas.

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