Ondas de calor no climatério: nova diretriz médica recomenda tratamento eficaz

Destaques
- •Nova diretriz do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas reforça a necessidade de tratar os sintomas vasomotores do climatério, como ondas de calor e suores noturnos.
- •A terapia hormonal é indicada como tratamento mais eficaz, com opções transdérmicas (adesivos e géis) apresentando menor risco de trombose.
- •Novos medicamentos sem hormônio, como antagonistas da neurocinina, e antidepressivos também são recomendados, além de terapias complementares.
Milhões de brasileiras sofrem com ondas de calor e suores noturnos durante o climatério, fase de transição para a menopausa. Frequentemente minimizados como "coisa da idade" ou "frescura", esses sintomas vasomotores, causados pela queda do estrogênio que desregula o hipotálamo (o "termostato" do cérebro), agora recebem atenção especial com uma nova diretriz do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas. A publicação reforça que existe tratamento eficaz e que ele deve ser oferecido às mulheres.
Os episódios de fogacho, que duram poucos minutos e podem vir acompanhados de calafrios, ansiedade e palpitações, afetam entre cinco e nove em cada dez mulheres. O sono prejudicado e o humor alterado são consequências diretas, impactando a qualidade de vida, o trabalho e a saúde geral. O pico dos sintomas ocorre por volta dos 50 anos, mas podem começar anos antes e persistir por mais de uma década.
Terapia Hormonal: Eficácia e Segurança Revisada
A terapia hormonal (TH) com estrogênio associado a um progestagênio (para proteger o útero) continua sendo o tratamento de primeira linha, sendo o mais eficaz para ondas de calor e distúrbios do sono. Estudos indicam que a TH reduz a frequência dos fogachos em cerca de 57% em comparação com placebo. As versões aplicadas na pele, como adesivos e géis, são consideradas entre as mais eficazes e com menor risco de trombose em comparação com os comprimidos.
A diretriz recomenda iniciar a TH preferencialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, período em que os benefícios superam os riscos. A decisão deve ser compartilhada com o médico, considerando o histórico de saúde da paciente, como câncer de mama, trombose, infarto, AVC e doenças hepáticas, que podem contraindicar o uso.
O medo em relação à TH, em grande parte impulsionado por um estudo americano do início dos anos 2000 (Women’s Health Initiative), é reavaliado. Embora riscos como aumento de derrame (5 casos a mais a cada mil mulheres em uso por 5,5 anos), trombose (10 casos a mais) e câncer de mama (5 casos a mais) existam, eles são vistos em números absolutos e são mais significativos em mulheres com 60 anos ou mais. Em 2025, a FDA retirou alertas em destaque sobre doenças cardiovasculares, câncer de mama e demência das bulas dos hormônios.
Alternativas Sem Hormônio e o Que Evitar
Para mulheres que não podem ou não desejam usar hormônios, a nova diretriz oferece recomendações fortes para novas classes de medicamentos. Os antagonistas da neurocinina, como o fezolinetanto (aprovado pela Anvisa em junho com o nome comercial Veoza), agem diretamente no hipotálamo desregulado e mostraram eficácia comparável à TH, com resultados percebidos rapidamente. No entanto, exigem monitoramento da função hepática.
Outras opções incluem antidepressivos como paroxetina, escitalopram e venlafaxina, que também auxiliam no humor. A gabapentina é uma alternativa para casos mais resistentes. Terapias complementares como a terapia cognitivo-comportamental, acupuntura, meditação e exercícios físicos são indicadas como apoio.
A diretriz desaconselha o uso de soja, isoflavonas e fitoterápicos, pois não há evidências científicas de sua eficácia ou segurança para o tratamento dos sintomas do climatério.
Preparação para a Consulta Médica
O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas incentiva as mulheres a buscarem ajuda médica e a irem preparadas para a consulta. Perguntas importantes a serem feitas ao ginecologista incluem: "Meus sintomas justificam tratamento?", "Posso usar hormônio? Se não, por quê?", "Adesivo ou gel seria melhor para mim do que comprimido?", "Qual alternativa sem hormônio serve para o meu caso?" e "Quando vamos reavaliar o tratamento?". A mensagem final é clara: sofrer calada não faz parte do tratamento, e buscar uma segunda opinião é válido se a resposta inicial for apenas "é normal, vai passar".



