Onda de protestos se espalha pela Europa contra alto custo de vida

Destaques
- •Manifestações em países como França, Espanha e Albânia refletem insatisfação com o aumento do custo de vida.
- •Protestos estudantis na França reuniram centenas de milhares de pessoas, com confrontos em Paris.
- •A análise de cientistas políticos aponta para um 'espírito do tempo' comum, com possíveis consequências para a democracia europeia.
Uma onda de protestos com forte impacto social e político tem varrido a Europa, com manifestações ocorrendo em ao menos sete países, incluindo França, Espanha, Itália, Bélgica, Albânia, Sérvia e Alemanha. O estopim das revoltas varia em cada nação, mas o denominador comum é o crescente custo de vida, que tem levado milhares de pessoas às ruas em busca de melhores condições.
Na França, estudantes secundaristas iniciaram uma série de protestos contra as más condições das escolas públicas e o aumento dos preços. Um dos atos chegou a reunir mais de 500 mil pessoas em um só dia, mergulhando Paris em caos e levando a confrontos com a polícia. Em 17 de outubro, o número de manifestantes em protestos nacionais convocados pelo movimento "Coletes Amarelos", com participação estudantil, chegou a 550 mil. Cartuchos de gás lacrimogêneo foram devolvidos pelos manifestantes em Paris, em 31 de outubro de 2026.
Custo de vida e falta de perspectiva impulsionam manifestações
O alto custo de vida e a falta de perspectiva de futuro são apontados como os principais combustíveis para os protestos que tomam as ruas da Europa. Na Espanha, o caso de Maricarmen Abascal, de 87 anos, despejada de sua casa após sete décadas por não poder arcar com o aluguel, simboliza a dificuldade enfrentada por muitos cidadãos.
A insatisfação se manifesta de diferentes formas, desde protestos pacíficos até confrontos violentos com as forças de segurança. Na Alemanha, protestos liderados pela geração Z resultaram em roubos de lojas. Na Albânia e na Bélgica, os atos também foram marcados por confrontos entre manifestantes e policiais.
Análise política e consequências para a democracia
Cientistas políticos comparam o atual "espírito do tempo" a movimentos como o de Maio de 1968, analisando as semelhanças e especificidades das manifestações atuais. Thomás Zicman de Barros, cientista político e autor do livro 'Do que falamos quando falamos de populismo', discute as potenciais consequências dessa onda de manifestações para a democracia europeia.
Em alguns casos, os protestos já geraram resultados políticos. Na Sérvia, o movimento estudantil conseguiu vencer nas urnas o partido do presidente Aleksandar Vučić, que governava o país desde 2014. A análise econômica das manifestações pela Europa também destaca a influência de fatores como o aumento dos preços dos combustíveis.
A onda de protestos na Albânia também expôs o avanço dos negócios bilionários da família Trump na Europa, adicionando uma camada de complexidade às motivações e desdobramentos das manifestações.



