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OMS: Medidas climáticas e de saúde podem salvar 1,6 milhão de vidas anuais

05 de novembro de 2026

Destaques

  • •Relatório da OMS aponta que seis ações integradas podem evitar quase 1,6 milhão de mortes por ano globalmente.
  • •As iniciativas incluem alertas de calor, acesso à água potável, saneamento, higiene das mãos, energia limpa e revisão de subsídios a combustíveis fósseis.
  • •A mudança em políticas de combustíveis fósseis sozinha pode salvar 1,2 milhão de vidas, com um benefício líquido anual estimado em R$ 4,63 trilhões.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta semana estima que a ampliação de seis medidas voltadas para a saúde e o enfrentamento das mudanças climáticas pode salvar quase 1,6 milhão de vidas por ano em todo o mundo. As ações propostas visam combater riscos ambientais como calor extremo, contaminação da água e poluição do ar, que estão diretamente ligados a problemas de saúde e mortes evitáveis.

O documento, que projeta resultados até 2075, considera a implementação de iniciativas em diversos países, incluindo o Brasil, Estados Unidos, China e países europeus. A redução de riscos ambientais não apenas previne mortes, mas também diminui a necessidade de atendimentos médicos, gerando benefícios econômicos significativos.

As seis medidas propostas pela OMS

As seis intervenções sugeridas pela OMS abrangem desde infraestrutura básica até políticas econômicas. Elas incluem a criação de sistemas de alerta de calor para proteger a população em períodos de temperaturas perigosas, e a ampliação do acesso à água potável e ao saneamento básico, essenciais para prevenir doenças diarreicas e outras infecções.

Outras ações focam na promoção da higiene das mãos, fundamental para evitar a propagação de doenças como pneumonia, e na transição para o uso de energia doméstica menos poluente, substituindo fogões e combustíveis que geram fumaça por alternativas mais limpas. A substituição de fogões e combustíveis que geram muita fumaça por alternativas mais limpas ou equipamentos melhorados, conforme as condições urbanas e rurais.

A sexta medida, considerada a de maior impacto, é a revisão de subsídios e impostos sobre combustíveis fósseis. A proposta é retirar gradualmente incentivos à produção e ao consumo de combustíveis poluentes e ajustar a tributação, seguindo o princípio de que quem polui deve arcar com os custos.

Impacto na saúde e no clima

A mudança nas políticas de preços dos combustíveis fósseis é responsável pela maior parcela das vidas que poderiam ser salvas, com uma estimativa de 1,2 milhão de mortes evitadas por ano. Essa projeção considera benefícios associados à redução da poluição do ar, que causa mortes por acidente vascular cerebral (AVC), doenças do coração, câncer de pulmão e doenças respiratórias, e também à diminuição de acidentes de trânsito.

As outras cinco medidas somadas podem evitar aproximadamente 360 mil mortes anualmente. Isso ocorre por meio da proteção contra o calor extremo, da prevenção de infecções relacionadas à falta de saneamento e higiene, e da redução da exposição à fumaça gerada em ambientes domésticos pelo uso de combustíveis poluentes.

Além dos benefícios diretos à saúde, as iniciativas também têm um impacto ambiental expressivo. O relatório estima que as ações poderiam evitar a emissão de 16,67 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, um volume crucial para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Benefícios econômicos e sociais

O relatório da OMS também quantifica os ganhos econômicos das medidas. Para as cinco ações com custos de implantação calculados, o investimento anual estimado é de R$ 194,45 bilhões. No entanto, o benefício líquido, já descontados os custos, chegaria a impressionantes R$ 4,63 trilhões por ano.

Essa conta considera não apenas a redução de despesas com doenças e o aumento da produtividade, mas também o valor econômico atribuído à redução de mortes e à economia de tempo. A OMS destaca que essas iniciativas podem contribuir para a redução de desigualdades, especialmente nas nações de renda baixa e média, onde os retornos em relação ao investimento são estimados como maiores.

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