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OMS: Adolescentes não avançam em atividade física; meninas ficam para trás

06 de novembro de 2026
OMS: Adolescentes não avançam em atividade física; meninas ficam para trás

Destaques

  • •Estudo da OMS revela que um em cada quatro adolescentes globalmente não atinge recomendação de 60 minutos de atividade física diária.
  • •Meninas apresentam níveis de inatividade física consistentemente maiores que meninos, com o Brasil entre os países com maior disparidade.
  • •Nenhum país está no caminho para atingir a meta global de 2030 de redução da inatividade física entre jovens.

Em 15 anos, o mundo não registrou avanços na tarefa de estimular adolescentes a se movimentarem, e as meninas são as que estão “ficando mais para trás”. A avaliação é do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao comentar as estimativas sobre os níveis de atividade física entre jovens divulgadas pelo órgão. Segundo os dados, publicados na revista científica The Lancet Global Health, um a cada quatro adolescentes em todo o mundo não pratica pelo menos 60 minutos de exercício em nenhum dia da semana, o que corresponde a cerca de 240 milhões de jovens com idades entre 11 e 17 anos. Em média, os adolescentes relataram praticar atividade física em apenas 2,7 dias por semana, enquanto somente 14% afirmaram ser ativos nos sete dias da semana.

O estudo reuniu dados de pesquisas populacionais de 3,2 milhões de adolescentes de 11 a 17 anos, coletadas em 140 países, incluindo o Brasil. “Não detectamos qualquer melhoria na atividade física dos adolescentes desde 2010 a nível global e na maioria das regiões”, aponta o levantamento, acrescentando que “nenhum país está no caminho certo para atingir a meta global de 2030”. A meta se refere à redução relativa de 15% até 2030 na porcentagem de adolescentes que não atingem a recomendação global da OMS de atividade física. Em 2010, o órgão recomendou que todos os adolescentes devem praticar pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia. De acordo com a pesquisa, porém, é notável a ausência de avanços nos últimos 15 anos, período em que os níveis de atividade física entre adolescentes permaneceram praticamente inalterados.

Cenário é pior entre as meninas

O estudo aponta que a atividade física entre adolescentes permanece persistentemente baixa, com disparidades marcantes de gênero, idade e nível socioeconômico, tanto dentro de um mesmo país quanto entre países diferentes. O cenário é pior entre as meninas: 28% delas não praticam atividade física em nenhum dia, em comparação com 22% dos meninos. Além disso, apenas 11% das meninas relataram ser fisicamente ativas todos os dias, em comparação com 17% dos meninos.

Ainda de acordo com o levantamento, elas apresentaram níveis de atividade física inferiores aos dos meninos em quase todos os países, mas as diferenças foram mais significativas em alguns lugares. A prevalência de 0 dias ativos foi pelo menos 15 pontos percentuais menor entre os meninos do que entre as meninas no Egito, Brasil, Quênia e Coreia do Sul. Na Argélia, Egito, Brasil, Coreia do Sul, Israel e Líbano, os meninos relataram, em média, de 1,1 a 1,2 dias ativos a mais do que as meninas.

O estudo também identificou um declínio relacionado à idade entre as meninas. Aos 11 anos, a taxa era de 2,6 dias ativos. Já aos 17, caiu para 2,2. Também foram observadas variações regionais. Para os meninos, houve uma redução de 0,5 a 0,8 dias ativos por semana, em média, entre os 11 e os 17 anos, na Europa Central e Oriental e Ásia Central, no Leste Asiático e Pacífico, e em países ocidentais de alta renda. Nessas três regiões, a redução entre as meninas foi mais acentuada do que entre os meninos, diminuindo de 1,2 a 1,4 dias na mesma faixa etária.

Políticas e barreiras à atividade física

Segundo os pesquisadores, “se as tendências de 2010–2025 continuarem até 2030, a meta global não será atingida”. Eles afirmam que as políticas atuais não estão alcançando uma parcela substancial da população e sugerem que os programas priorizem o engajamento dos adolescentes menos ativos. Além disso, as iniciativas devem se adaptar ao contexto sociocultural de cada região. “Em contextos com elevados níveis de inatividade, as prioridades políticas devem centrar-se na criação de ambientes propícios à prática de atividade física no dia a dia“, recomendam.

Em países com maiores níveis de atividade, as estratégias podem se concentrar na manutenção de dias ativos ao longo da semana. As diferenças observadas entre meninos e meninas também destacam a necessidade de políticas mais eficazes e sensíveis às questões de gênero. Programas focados exclusivamente na mudança de comportamento individual provavelmente não serão suficientes sem ações paralelas para abordar as barreiras à atividade das meninas, como normas de gênero restritivas, preocupações com a segurança e falta de oportunidades adequadas.

“Esses achados sugerem a priorização de intervenções que visem todos os adolescentes, particularmente os menos ativos, abordando também as disparidades de gênero”, concluem. A atividade física na adolescência promove a saúde física e mental, com benefícios que se estendem até a idade adulta. Um estudo brasileiro conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, mostrou que praticar esportes nessa faixa etária confere benefícios cardiovasculares por muitos anos, como se o exercício físico funcionasse como uma “poupança” para ser usada ao longo da vida.

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