Odebrecht e Webuild negociam trechos de ferrovia para exportação de minerais africanos

Destaques
- •Empresas brasileiras e italianas disputam contratos para a construção de 830 km da ferrovia Corredor do Lobito, em Angola e Zâmbia.
- •O projeto, com apoio dos EUA, visa reduzir a dependência da China em minerais essenciais para a transição energética, como cobre e cobalto.
- •As negociações devem começar em breve, com previsão de início das obras em seis a oito meses.
A brasileira Odebrecht e a italiana Webuild estão entre as empresas selecionadas para negociar a construção de 830 quilômetros de trechos do Corredor do Lobito. A ferrovia conectará a República Democrática do Congo e a Zâmbia ao porto de Lobito, em Angola, facilitando a exportação de minerais como cobre e cobalto para a Europa e outros mercados ocidentais.
A Africa Finance Corp (AFC), instituição responsável pelo desenvolvimento do trecho que atravessa a Zâmbia, anunciou os grupos que terão preferência na disputa pelos contratos. As negociações devem ter início no próximo mês, com expectativa de conclusão dos acordos em um prazo de oito a 12 semanas. A previsão é que as obras comecem em cerca de seis a oito meses.
Divisão dos trechos e empresas envolvidas
A construção do trecho entre Chingola, na Zâmbia, e a fronteira com Angola ficará a cargo da Webuild, da portuguesa Mota-Engil e da turca IC Ictas. Já as obras entre a fronteira angolana e Luacano, em Angola, serão negociadas pela Mota-Engil e pela Odebrecht, empresa controlada pela Novonor.
O Corredor do Lobito terá um total de aproximadamente 1.739 quilômetros, ligando a cidade de Kolwezi, na República Democrática do Congo, ao porto de Lobito. A Mota-Engil já participa de consórcios responsáveis por outros segmentos da ferrovia.
Estratégia geopolítica e econômica
O projeto conta com apoio financeiro dos Estados Unidos e é visto como parte de uma estratégia americana para diminuir a dependência da China no fornecimento de minerais cruciais para a transição energética global. Atualmente, a China detém uma forte presença na cadeia de produção e processamento desses minerais extraídos na África.
A nova ferrovia tem o potencial de reduzir significativamente o tempo e o custo do transporte desses recursos até os mercados ocidentais. A expectativa é que o projeto não apenas facilite as exportações, mas também impulsione a economia das regiões atravessadas, estimulando o desenvolvimento de atividades industriais ligadas aos minerais e a produção agrícola.
“Este é um passo significativo para a concretização do projeto”, afirmou Samaila Zubairu, presidente-executivo da AFC. “O que queremos é construir infraestrutura que sustente o crescimento da produção africana”, completou.
A República Democrática do Congo e a Zâmbia são os maiores produtores de cobre do continente africano. O Congo, por sua vez, é o principal fornecedor mundial de cobalto, um mineral essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos e dispositivos eletrônicos.
Samaila Zubairu não revelou os valores estimados para os contratos, mas destacou que a AFC pretende ampliar as conexões entre produtores e consumidores africanos e os mercados internacionais.
Matérias originais
- Odebrecht é escolhida para construir ferrovia estratégica na África · investnews.com.br



