Novo medicamento reduz risco de progressão em câncer ósseo raro em 67%
Destaques
- •Medicamento Risvutatug rezetecana (Ris-Rez) demonstrou redução de 67% no risco de progressão ou morte em pacientes com osteossarcoma recidivado ou refratário.
- •Estudo de fase 3 ARTEMIS-011, apresentado no Congresso da ESMO, comparou o novo fármaco com a quimioterapia convencional (gencitabina e docetaxel).
- •Apesar da eficácia, o tratamento apresentou alta frequência de efeitos adversos, especialmente hematológicos, e dados de sobrevida global ainda são imaturos.
Um novo medicamento experimental, o risvutatug rezetecana (conhecido como Ris-Rez), apresentou resultados promissores em um estudo de fase 3, reduzindo em 67% o risco de progressão da doença ou morte em pacientes com osteossarcoma recidivado ou refratário. O osteossarcoma é um tipo raro de câncer ósseo que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens.
Os dados do estudo ARTEMIS-011 foram divulgados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, nesta terça-feira (27). A pesquisa avaliou o Ris-Rez em 122 pacientes cujas doenças não responderam ou voltaram após pelo menos duas linhas de tratamento, um cenário com poucas opções terapêuticas eficazes.
Resultados de Eficácia e Comparação
No estudo, 80 pacientes receberam o Ris-Rez, enquanto 42 foram tratados com a combinação de gencitabina e docetaxel, quimioterápicos convencionais. O principal indicador de sucesso foi a sobrevida livre de progressão, que mede o tempo sem avanço da doença. A mediana nesse grupo foi de 5,5 meses, comparada a 1,4 mês no grupo de tratamento convencional. Essa diferença representa a redução de 67% no risco de progressão ou morte.
A pesquisadora Nathalie Gaspar destacou a importância do avanço, considerando a escassez de novas opções terapêuticas para o osteossarcoma nos últimos 20 anos. "Não tivemos nenhum novo fármaco que mudasse sobrevida até então", afirmou, classificando o resultado como "muito positivo".
Mecanismo de Ação e Efeitos Adversos
O Ris-Rez é um conjugado anticorpo-fármaco (ADC) que combina um anticorpo direcionado à proteína B7-H3, encontrada em diversos tumores, a uma substância citotóxica. Ao se ligar ao alvo, o medicamento libera uma substância que inibe a enzima TOP1, essencial para a replicação do DNA, visando destruir as células cancerosas.
Apesar da eficácia, o tratamento apresentou uma frequência elevada de efeitos adversos. Eventos de grau 3 ou superior ocorreram em 92,5% dos pacientes com Ris-Rez e 83,3% no grupo comparativo. Os efeitos mais comuns foram hematológicos (relacionados ao sangue). Eventos adversos graves relacionados ao tratamento foram registrados em 63,8% do grupo do novo medicamento, contra 28,6% no grupo de comparação.
A interrupção definitiva do tratamento por efeitos adversos foi pouco frequente (3,8% e 2,4%, respectivamente), e nenhum evento de grau 5 (morte) foi registrado. Lu Xie, autora principal do estudo, apresentou os dados. Gaspar alertou que a toxicidade, especialmente a hematológica, pode ser um desafio para futuras combinações terapêuticas.
Próximos Passos e Relevância no Brasil
Ainda é preciso entender quais pacientes respondem melhor ao medicamento e como ele será utilizado na prática clínica. A sobrevida global, que mede o tempo total de vida, ainda é considerada imatura, impedindo conclusões sobre o prolongamento da vida dos pacientes. A segurança e a definição da melhor sequência de tratamentos são pontos centrais para as próximas investigações.
No Brasil, o osteossarcoma é o tumor ósseo maligno mais comum em crianças e adolescentes, com pico de incidência entre 10 e 19 anos, representando de 3% a 5% das neoplasias nessa faixa etária. Geralmente atinge ossos longos, como os joelhos e ombros, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).



