Filhote de coruja é criado com fantoche para evitar imprinting em humanos

Destaques
- •Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (Cetra) utiliza fantoches para alimentar filhotes de coruja.
- •A técnica de anti-imprinting visa impedir que os animais criem laços com humanos, garantindo sua reabilitação e soltura bem-sucedidas.
- •O método simula o comportamento natural da mãe coruja e preserva os instintos de proteção da espécie.
Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra um filhote de coruja-da-igreja, ainda sem penas e dentro de um pote de plástico, sendo alimentado por um fantoche infantil. A iniciativa, publicada pelo Cetra (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens) da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), tem o objetivo de aplicar o princípio do anti-imprinting no cuidado com animais silvestres.
O filhote recebe comida de uma seringa manuseada por uma mão coberta pelo fantoche, que simula uma coruja adulta. A cuidadora utiliza máscara para ocultar o rosto, garantindo que a atenção do animal se concentre no fantoche e não na figura humana.
O que é imprinting?
O imprinting, também conhecido como "estampagem" ou "cunhagem", é um comportamento observado nos primeiros dias de vida de um animal. Ele se manifesta pela resposta instintiva à presença de uma figura materna ou paterna. O etólogo Konrad Lorenz descreveu o fenômeno ao observar filhotes de gansos e patos seguindo o primeiro objeto que viam ao nascer.
Este mecanismo é crucial para a aprendizagem de comportamentos essenciais à sobrevivência. Ao fixar a atenção em figuras parentais, os filhotes copiam comportamentos dos mais velhos e adquirem informações vitais para sua vida.
Como funciona o anti-imprinting?
Quando animais são separados de seus pais ao nascer, o processo de imprinting pode direcionar a "estampagem" para um alvo inadequado, que não possui os aprendizados necessários para a sobrevivência da espécie. É nesse contexto que o "anti-imprinting" se torna fundamental.
No caso do filhote de coruja-da-igreja, o uso do fantoche imita o ato de alimentação pela mãe coruja. Essa tática é essencial para preservar o comportamento natural da ave e garantir que ela desenvolva os instintos de proteção necessários para uma futura soltura bem-sucedida.
Preservando instintos e garantindo a soltura
A técnica empregada pelo Cetra visa não apenas alimentar o filhote, mas também manter o distanciamento natural entre as espécies. Ao evitar a aproximação excessiva com humanos, o anti-imprinting impede o desenvolvimento de uma confiança indevida nos cuidadores.
"Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro", ressalta a publicação do Cetra. A metodologia busca assegurar que os animais reabilitados mantenham seus instintos selvagens intactos, aumentando suas chances de sobrevivência na natureza.



