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Nova técnica de imagem detecta 97,9% de lesões de câncer de rim

23 de outubro de 2026
Nova técnica de imagem detecta 97,9% de lesões de câncer de rim

Destaques

  • •Uma nova técnica de PET/CT identificou quase 98% das lesões de carcinoma renal de células claras, o subtipo mais comum de câncer de rim.
  • •O método demonstrou superioridade na detecção de metástases em comparação com a técnica convencional, alterando o estadiamento ou conduta clínica em quase um terço dos pacientes estudados.
  • •A tecnologia ainda é preliminar e necessita de estudos maiores para confirmar sua eficácia e impacto na sobrevida dos pacientes antes de ser incorporada à prática clínica.

Uma nova técnica de imagem, apresentada no 39º Congresso Anual da Associação Europeia de Medicina Nuclear (EANM’26) em Viena, Áustria, demonstrou uma capacidade significativamente maior na identificação de lesões de carcinoma renal de células claras, o tipo mais comum de câncer de rim. O exame, uma modalidade de PET/CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons combinada com Tomografia Computadorizada), identificou 97,9% das lesões, superando o método comparativo que detectou apenas 47,1%.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Turquia com 68 pacientes, avaliou a eficácia de duas abordagens de PET/CT. O subtipo de carcinoma renal de células claras representa entre 70% a 80% dos casos de câncer de rim. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que a pesquisa ainda é preliminar e não demonstrou, até o momento, que o novo exame aumenta a sobrevida ou melhora os resultados do tratamento.

Como funciona a nova técnica

A modalidade de PET/CT mais utilizada emprega o FDG, um radiofármaco semelhante à glicose, que localiza células com alto consumo de açúcar. No entanto, o FDG apresenta limitações no câncer renal, pois é eliminado pelos rins e pode se acumular na urina, dificultando a visualização de tumores. Além disso, algumas lesões consomem pouca glicose.

A nova técnica utiliza um radiotraçador que se liga a uma proteína específica encontrada em alta concentração na superfície das células do carcinoma renal de células claras, mas em menor quantidade no tecido renal saudável. Essa característica molecular permite destacar as regiões afetadas com maior clareza.

Segundo Esra Arslan, pesquisadora da Universidade de Ciências da Saúde da Turquia e uma das responsáveis pelo estudo, a abordagem visa reconhecer o tumor por meio de uma característica molecular mais específica. Nos exames, a captação do novo radiotraçador nas lesões foi aproximadamente cinco vezes maior que com o FDG, e o contraste entre tumores e tecidos ao redor foi cerca de dez vezes superior.

Identificação de metástases e impacto no estadiamento

A tecnologia também se mostrou superior na identificação de metástases. Considerando todos os subtipos de carcinoma renal analisados, o novo exame identificou 90,9% das lesões, contra 56,7% com o FDG. Especificamente, o novo método detectou todas as lesões cerebrais e pulmonares consideradas verdadeiras, enquanto o FDG identificou apenas metade das metástases pulmonares. Nos linfonodos, a nova técnica detectou 95% das lesões, comparado a 68,9% do método comparativo.

O fígado foi uma exceção, onde o FDG apresentou melhor desempenho em alguns subtipos, possivelmente devido a níveis mais baixos da proteína alvo pela nova técnica em certos tumores. A identificação de lesões adicionais pode influenciar o estadiamento do câncer e as decisões médicas. No estudo, o novo exame provocou mudanças no estadiamento ou na conduta clínica de 30,9% dos pacientes, contra 5,9% com o FDG. Essas alterações incluíram a descoberta de metástases desconhecidas, identificação de recorrências e detecção de tumores remanescentes após tratamento. Em três pacientes, a nova abordagem também descartou achados positivos pelo FDG, evitando intervenções desnecessárias.

Próximos passos e aplicações futuras

A nova tecnologia ainda não está pronta para substituir os métodos de imagem recomendados para o câncer renal, como a tomografia computadorizada com contraste ou a ressonância magnética, que são as indicações atuais das diretrizes da Associação Europeia de Urologia. O PET com FDG, usado na comparação, não é rotineiramente recomendado para o estadiamento inicial do câncer renal, o que significa que os resultados não comprovam superioridade sobre a tomografia ou ressonância.

Os pesquisadores apontam três possíveis aplicações futuras: avaliação da extensão do câncer antes de cirurgias, investigação de suspeitas de retorno da doença e identificação de pacientes que poderiam se beneficiar de terapias direcionadas à proteína detectada pelo exame. Esta última aplicação se relaciona à teranóstica, combinando diagnóstico e tratamento. Contudo, antes de sua incorporação à prática clínica, estudos maiores são necessários para confirmar os resultados, avaliar a segurança e verificar se o exame melhora a evolução da doença, além de investigar seu desempenho em diferentes subtipos de câncer renal.

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