Nova pirâmide alimentar internacional unifica evidências globais

Destaques
- •Nutricionistas de todo o mundo criaram uma base para a pirâmide alimentar internacional, unificando evidências científicas.
- •A nova diretriz prioriza alimentos de origem vegetal, gorduras e proteínas saudáveis, e carboidratos de qualidade, adaptáveis a culturas locais.
- •A proposta visa orientar escolhas alimentares saudáveis e sustentáveis globalmente, com foco em alimentos in natura e restrição de ultraprocessados.
Um grupo de 22 nutricionistas de diversas partes do mundo se uniu para criar a base de uma nova pirâmide alimentar internacional. Detalhada em um estudo publicado na revista Advances in Nutrition, a iniciativa busca unificar evidências científicas e elaborar uma diretriz nutricional global, adaptável a diferentes culturas e realidades.
A proposta parte do princípio de que, embora a dieta mediterrânea seja frequentemente citada como ideal, nem sempre seus ingredientes são acessíveis globalmente. A nova pirâmide se baseia em princípios já comprovados, como a importância dos alimentos in natura, a redução do consumo de carne vermelha, a adesão a proteínas magras e a restrição de alimentos ultraprocessados.
Princípios da dieta internacional
A construção da dieta internacional é norteada por três propostas principais: fazer dos alimentos de origem vegetal a base de uma dieta saudável; escolher fontes mais saudáveis de gordura e proteína; e priorizar a qualidade dos carboidratos. A ideia é manter um prato diversificado e colorido, sem cortes radicais de nutrientes, permitindo o consumo de gorduras provenientes de óleos vegetais e carboidratos como cereais integrais e tubérculos, fontes de energia.
“Uma dieta saudável não será exatamente a mesma para todos ao redor do mundo”, afirmou em comunicado a cientista nutricional Karen Della Corte, da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos. “As pessoas podem seguir os mesmos princípios básicos usando alimentos tradicionais que estejam disponíveis localmente, sejam acessíveis e culturalmente apropriados para elas.”
Como adaptar a pirâmide no dia a dia
Para aplicar os princípios da pirâmide alimentar internacional, a recomendação é priorizar o consumo de feijões, ervilhas, lentilhas, peixe, aves ou iogurte com mais frequência do que carnes vermelhas e processadas, evitando que a carne seja a parte principal da refeição. Lanches devem preferencialmente ser compostos por nozes, sementes, frutas ou vegetais com homus, em vez de opções ultraprocessadas.
Na escolha de carboidratos, o pão integral e cereais integrais ou ricos em fibras devem ser preferidos em detrimento do pão branco refinado e cereais refinados. Para o preparo dos alimentos, o estudo sugere cozinhar com óleo de canola ou azeite em vez de gorduras animais, como manteiga, e optar por água ou água com gás sem açúcar em vez de refrigerantes açucarados.
Base científica e adaptação cultural
Os pesquisadores analisaram mais de 250 publicações científicas, incluindo referências da Dieta da Saúde Planetária EAT-Lancet, e compararam diretrizes alimentares nacionais e regionais de países como Canadá, Alemanha, Austrália, China, Holanda, Estados Unidos e países nórdicos. O objetivo foi traduzir um extenso conjunto de evidências científicas em uma pirâmide alimentar coerente e prática.
“Queríamos reunir esses princípios compartilhados e traduzir um extenso conjunto de evidências científicas em uma pirâmide alimentar coerente e prática”, disse Karen Della Corte. A nova diretriz busca oferecer um guia flexível que respeite a diversidade alimentar e cultural, promovendo saúde e sustentabilidade.
Matérias originais
- Pesquisa aponta os alimentos que integram a ‘pirâmide alimentar internacional’ · veja.abril.com.br



