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Nova jornada de trabalho: supermercados enfrentam desafios com folguistas e custos

29 de outubro de 2026
Nova jornada de trabalho: supermercados enfrentam desafios com folguistas e custos

Destaques

  • •A Emenda Constitucional 141, que altera a escala de trabalho e reduz a jornada semanal, impõe desafios logísticos e financeiros ao setor supermercadista.
  • •A necessidade de contratar folguistas especializados para cobrir os dias de descanso pode aumentar significativamente a folha de pagamento, com repasse de custos aos consumidores.
  • •O setor precisará negociar acordos com sindicatos e encontrar mão de obra qualificada para se adaptar às novas regras, com impacto direto nos preços dos alimentos.

A Emenda Constitucional n.º 141 (EC 141), que extinguiu a escala de trabalho 6x1 e reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas, começa a apresentar seus desafios práticos, especialmente para o setor de supermercados. A nova legislação exige que os empregados trabalhem, em média, 8,4 horas diárias para cumprir as 42 horas semanais iniciais e, posteriormente, as 40 horas, um aumento em relação à média atual de 7,33 horas por dia.

Um dos principais obstáculos é a necessidade de contratar empregados folguistas para cobrir os dois dias de descanso semanais dos demais funcionários, garantindo a operação contínua dos estabelecimentos, que funcionam sete dias por semana. A dificuldade reside não apenas na contratação de pessoal para jornadas parciais, mas também na especialização exigida em áreas como padaria, açougue e hortifrúti. Isso demandará um "time de folguistas especializados", o que agrava o cenário de escassez de mão de obra qualificada.

Impacto financeiro e nos preços

A contratação desses folguistas especializados resultará em um aumento considerável na folha de pagamentos, especialmente para as pequenas empresas. A expectativa é que esse custo adicional seja repassado aos preços dos alimentos e outros produtos comercializados nos supermercados, impactando diretamente o poder de compra das famílias brasileiras.

Negociação com sindicatos e desafios de contratação

A EC 141 também muda a dinâmica da compensação de horas. O "acordo de compensação", antes feito diretamente entre empregados e empregadores, agora precisará ser negociado com os sindicatos laborais. Essa nova exigência pode gerar complexidade e alongar os processos de adaptação das empresas.

O setor varejista, em geral, enfrenta o desafio de encontrar mão de obra qualificada para preencher as vagas de folguistas, dada a atual escassez no mercado. A multiplicação desses problemas por milhões de pequenas empresas no país aponta para um cenário de despesas inescapáveis e complexidades operacionais que precisarão ser solucionadas.

A emenda, que já havia sido criticada por seus patrocinadores, agora demonstra um potencial de gerar mais problemas do que soluções práticas para o dia a dia das empresas e para o bolso do consumidor.

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