Nova jornada de trabalho: supermercados enfrentam desafios com folguistas e custos

Destaques
- •A Emenda Constitucional 141, que altera a escala de trabalho e reduz a jornada semanal, impõe desafios logísticos e financeiros ao setor supermercadista.
- •A necessidade de contratar folguistas especializados para cobrir os dias de descanso pode aumentar significativamente a folha de pagamento, com repasse de custos aos consumidores.
- •O setor precisará negociar acordos com sindicatos e encontrar mão de obra qualificada para se adaptar às novas regras, com impacto direto nos preços dos alimentos.
A Emenda Constitucional n.º 141 (EC 141), que extinguiu a escala de trabalho 6x1 e reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas, começa a apresentar seus desafios práticos, especialmente para o setor de supermercados. A nova legislação exige que os empregados trabalhem, em média, 8,4 horas diárias para cumprir as 42 horas semanais iniciais e, posteriormente, as 40 horas, um aumento em relação à média atual de 7,33 horas por dia.
Um dos principais obstáculos é a necessidade de contratar empregados folguistas para cobrir os dois dias de descanso semanais dos demais funcionários, garantindo a operação contínua dos estabelecimentos, que funcionam sete dias por semana. A dificuldade reside não apenas na contratação de pessoal para jornadas parciais, mas também na especialização exigida em áreas como padaria, açougue e hortifrúti. Isso demandará um "time de folguistas especializados", o que agrava o cenário de escassez de mão de obra qualificada.
Impacto financeiro e nos preços
A contratação desses folguistas especializados resultará em um aumento considerável na folha de pagamentos, especialmente para as pequenas empresas. A expectativa é que esse custo adicional seja repassado aos preços dos alimentos e outros produtos comercializados nos supermercados, impactando diretamente o poder de compra das famílias brasileiras.
Negociação com sindicatos e desafios de contratação
A EC 141 também muda a dinâmica da compensação de horas. O "acordo de compensação", antes feito diretamente entre empregados e empregadores, agora precisará ser negociado com os sindicatos laborais. Essa nova exigência pode gerar complexidade e alongar os processos de adaptação das empresas.
O setor varejista, em geral, enfrenta o desafio de encontrar mão de obra qualificada para preencher as vagas de folguistas, dada a atual escassez no mercado. A multiplicação desses problemas por milhões de pequenas empresas no país aponta para um cenário de despesas inescapáveis e complexidades operacionais que precisarão ser solucionadas.
A emenda, que já havia sido criticada por seus patrocinadores, agora demonstra um potencial de gerar mais problemas do que soluções práticas para o dia a dia das empresas e para o bolso do consumidor.
Matérias originais
- Emenda constitucional do fim da escala 6x1 saiu pior do que o soneto · estadao.com.br



