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Nova combinação de medicamentos reduz risco de morte em câncer de bexiga

30 de outubro de 2026
Nova combinação de medicamentos reduz risco de morte em câncer de bexiga

Destaques

  • •Estudo VOLGA apresentou resultados promissores para pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo.
  • •A combinação de durvalumabe e enfortumabe vedotina reduziu em 49% o risco de recorrência da doença ou morte.
  • •A pesquisa pode abrir caminho para futuras avaliações regulatórias e estratégias de preservação da bexiga.

Uma nova combinação de medicamentos administrados antes e depois da cirurgia demonstrou reduzir significativamente o risco de recorrência, progressão ou morte em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo. Os resultados do estudo de fase 3, denominado “VOLGA”, foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri. O estudo avaliou 695 pacientes que não podiam receber ou não responderam bem à quimioterapia à base de cisplatina, um tratamento tradicional para este tipo de tumor grave que atinge a camada muscular da bexiga.

Resultados Promissores para Sobrevida Livre de Eventos

O principal achado do estudo foi observado no grupo que recebeu a combinação de durvalumabe e enfortumabe vedotina. Essa estratégia terapêutica reduziu em 49% o risco de eventos relacionados à doença ou de morte em comparação com o grupo controle, que passou apenas pela cirurgia. Após dois anos, 64% dos pacientes tratados com a combinação estavam livres de eventos como retorno do câncer, progressão da doença ou morte, contra 45% no grupo controle. O durvalumabe é uma imunoterapia que bloqueia a proteína PD-L1, auxiliando o sistema imunológico a combater o câncer. Já o enfortumabe vedotina é um conjugado anticorpo-fármaco que direciona uma substância destrutiva de células cancerosas especificamente para o tumor, reconhecendo a proteína nectina-4.

Melhora Significativa na Sobrevida Global

Além da sobrevida livre de eventos, o estudo também apontou benefícios na sobrevida global, que mede a proporção de pacientes vivos independentemente da causa da morte. Houve uma redução de 42% no risco de morte com o uso de durvalumabe e enfortumabe vedotina em comparação ao grupo controle. Em dois anos, a taxa estimada de sobrevida global foi de 78% no grupo tratado com a combinação, contra 69% no grupo controle. O oncologista clínico geniturinário Fabio Schutz, do Hospital Beneficência Portuguesa, destacou que uma redução do risco de morte dessa magnitude representa uma melhora significativa no resultado do tratamento.

Combinação Tripla Não Apresentou Benefícios Significativos

A pesquisa também investigou uma combinação tripla, incluindo o tremelimumabe, outra imunoterapia que atua sobre a proteína CTLA-4. No entanto, essa abordagem, que envolveu durvalumabe, tremelimumabe e enfortumabe vedotina antes e depois da cirurgia, não demonstrou uma melhora significativa na sobrevida global em comparação com o grupo que realizou apenas a cirurgia. Segundo Schutz, essa abordagem não deve prosseguir.

Preservação da Bexiga e Próximos Passos

Apesar dos avanços, a possibilidade de evitar a remoção da bexiga (cistectomia radical) ainda é um desafio. A cirurgia continua sendo considerada necessária, e qualquer estratégia de preservação do órgão deve ser avaliada com cautela para não comprometer as chances de cura. Contudo, Schutz acredita que os avanços com imunoterapias e combinações como a estudada podem abrir caminho para futuras estratégias de preservação da bexiga, com estudos em andamento para avaliar essa possibilidade. A combinação de durvalumabe e enfortumabe vedotina pode, futuramente, ser submetida à avaliação regulatória pelas autoridades competentes.

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