Netflix: Lucro sobe 43,9% e receita cresce 11,8% no 3º trimestre

Destaques
- •Netflix registra lucro líquido de US$ 3,66 bilhões e receita de US$ 12,87 bilhões no terceiro trimestre.
- •Empresa reduz previsão de receita com publicidade para 2026 e enfrenta desafios de engajamento nos EUA.
- •Reestruturação interna e contratação de Peter Rice marcam nova fase estratégica para o negócio principal de filmes e séries.
A Netflix divulgou resultados financeiros robustos para o terceiro trimestre, com um lucro líquido que saltou 43,9%, alcançando US$ 3,66 bilhões. A receita também apresentou crescimento expressivo, atingindo US$ 12,87 bilhões, um aumento de 11,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A taxa de cancelamento de assinaturas nos Estados Unidos permanece a mais baixa do setor, com 2,1% em setembro.
Apesar dos números positivos, a gigante do streaming enfrenta preocupações com o crescimento de audiência e engajamento, especialmente nos Estados Unidos e Canadá. A empresa admitiu a dificuldade em encontrar novos sucessos globais que substituam franquias consolidadas e contestou dados de consultorias que apontam ausência de crescimento líquido de assinantes no mercado americano em 2026. A previsão de receita com publicidade para 2026 foi reduzida de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões, devido a atrasos na implementação de novas ferramentas.
Reestruturação e Mudanças na Liderança
Em resposta aos desafios, a Netflix iniciou uma reestruturação interna, batizada de “Project Meridian”, que incluiu o corte de aproximadamente 6% de sua força de trabalho global. Mudanças significativas ocorreram na liderança criativa da companhia.
Bela Bajaria, que era responsável pela área de conteúdo, foi substituída. Poucas horas após o anúncio dos cortes de pessoal, Dan Lin, chefe da divisão de filmes, também deixou o cargo. Para liderar a área de conteúdo, a empresa contratou Peter Rice, executivo com vasta experiência em cinema, televisão e esportes, vindo da Disney e Fox. Rice ficará responsável por um orçamento global de cerca de US$ 20 bilhões.
Revisão da Estratégia Criativa e Diversificação
As mudanças indicam uma revisão da estratégia criativa da empresa, com foco em renovar a programação e recuperar o ritmo de engajamento. O co-CEO Ted Sarandos expressou preocupação com a diminuição do tempo de visualização nos EUA e a escassez de novas séries de grande sucesso.
A companhia busca fortalecer sua oferta principal de filmes e séries, após uma série de experimentos em áreas como videogames e podcasts. Os resultados dessa diversificação são desiguais: eventos esportivos têm boa audiência, mas apenas 3,5% dos assinantes jogam os games da plataforma mensalmente, com a divisão de jogos ficando cerca de 10% abaixo das metas de engajamento para 2026.
A empresa também explorou a possibilidade de permitir que assinantes contratem outros serviços de streaming diretamente pelo aplicativo e incluir canais ao vivo, como já ocorre na França com a emissora TF1.
Concorrência e Percepção do Mercado
A Netflix enfrenta concorrência crescente pela atenção do público, especialmente com o avanço de plataformas como YouTube e TikTok. A percepção dos investidores sobre a empresa também mudou, especialmente após a iniciativa malsucedida de aquisição dos estúdios da Warner Bros. Discovery e da HBO Max no ano passado.
Desde então, as ações da Netflix acumulam queda de 44,6% em relação a um ano atrás, e o valor de mercado da empresa soma US$ 285,6 bilhões. Diante desse cenário, a companhia reorientou investimentos para seu negócio principal, buscando formatos de produção mais acessíveis para ampliar o catálogo.
Apesar dos desafios, a Netflix mantém a previsão de crescimento da receita entre 13% e 14% em 2026 e de margem operacional de 31,5%.



