Mulheres negras têm mortalidade 3,8 vezes maior por câncer de mama, aponta Inca

Destaques
- •Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais de câncer de mama que mulheres brancas, apesar de terem menor incidência da doença.
- •Fatores como acesso desigual a diagnóstico precoce, tratamentos e subtipos mais agressivos da doença, como o triplo-negativo, explicam a disparidade.
- •O Inca recomenda políticas públicas para equidade no acesso à saúde e reforça a importância de hábitos saudáveis e rastreamento.
Mulheres negras enfrentam uma taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior em comparação com mulheres brancas, segundo a publicação "Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama" do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Apesar de a incidência da doença ser menor entre mulheres negras, o estudo aponta que elas morrem mais, um cenário que pode estar ligado ao acesso desigual ao diagnóstico precoce e às terapias de tratamento.
A coordenadora da divisão de detecção precoce do Inca, Renata Maciel, explica que as mulheres negras têm maior incidência do subtipo triplo-negativo, considerado mais grave e de evolução mais rápida. Além disso, há evidências de que o exame de rastreamento, a mamografia, é menos realizado por esse grupo, especialmente na faixa etária entre 50 e 69 anos, onde as mulheres brancas realizam mais esses exames preventivos.
Acesso desigual e fatores de risco
O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, reforça que a mulher negra pode ter a doença biologicamente mais agressiva e menor acesso aos serviços de saúde, o que leva a diagnósticos mais tardios. Ele destaca a necessidade de construir políticas públicas com equidade para garantir acesso uniforme aos serviços de saúde para todas as populações.
Gil também mencionou que mulheres negras estão consumindo mais bebidas alcoólicas, um fator de risco conhecido para o câncer de mama. Desigualdades socioeconômicas, dificuldades de acesso à saúde e estresse relacionado às condições de vida também podem contribuir para as disparidades raciais.
Recomendações e prevenção
A publicação do Inca recomenda o fortalecimento de políticas de prevenção e promoção da saúde. Isso inclui reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de álcool, e promover práticas protetoras como alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno, visando criar condições mais favoráveis para as populações mais vulneráveis.
O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil. Estima-se que aproximadamente 17% dos casos possam ser prevenidos com hábitos saudáveis. O SUS oferece mamografia gratuita para mulheres entre 50 e 74 anos a cada dois anos, e também para mulheres mais jovens mediante sintomas ou orientação profissional. A "Lei dos 30 Dias" garante exames em até um mês após a suspeita, e a "Lei dos 60 Dias" assegura o início do tratamento gratuito em até dois meses.
Histórias de superação e conscientização
A artesã Solange Barbosa de Freitas, 57 anos, descobriu a doença em um exame de rotina durante o Outubro Rosa em 2019, quando estava assintomática. Ela passou por três cirurgias e reconstrução mamária. Sua experiência destaca a importância do diagnóstico precoce.
A empresária Solange Barbosa de Freitas, que descobriu o câncer de mama em 2019 aos 51 anos, ressaltou que o diagnóstico precoce foi fundamental para o sucesso do tratamento. Ela enfatiza a importância da prevenção, mesmo sem dor, e que o câncer não é um fim, mas algo a ser combatido.
A recepcionista Joyce do Nascimento foi diagnosticada aos 23 anos e passou por quimioterapia e mastectomia. Ela não enfrentou dificuldades de acesso ao tratamento, mas reconhece que essa não é a realidade de muitas mulheres negras.
O esporte também se une à causa. O clube de vôlei Goiás lançou uniformes especiais para o Outubro Rosa, em homenagem a Carol Batagim, irmã do capitão Henrique Batagim, que superou a doença. A ação visa conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce e da busca por tratamento, lembrando que o câncer de mama conta com tratamento gratuito no SUS.
Matérias originais
- Câncer de mama: mulheres negras morrem 3,8 vezes mais que brancas · agenciabrasil.ebc.com.br
- Outubro Rosa: confira tudo o que você precisa saber sobre o câncer de mama · cnnbrasil.com.br
- Mortalidade de câncer de mama é quatro vezes maior nas mulheres negras, diz estudo do Inca · g1.globo.com
- Irmã de capitão do vôlei estrela Outubro Rosa do Goiás após vencer câncer com apoio da torcida · ge.globo.com



