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Fãs idosos do BTS encontram comunidade e propósito em shows e fandom

28 de outubro de 2026
Fãs idosos do BTS encontram comunidade e propósito em shows e fandom

Destaques

  • •Mulheres com mais de 60 anos relatam como o grupo sul-coreano BTS se tornou um ponto de conexão e alegria em suas vidas.
  • •O fandom oferece um espaço de reconhecimento e pertencimento, combatendo a solidão e o etarismo, segundo especialistas.
  • •Fãs mais velhas relatam experiências transformadoras, como ir a shows, formar grupos de amizade e até mesmo encontrar alívio para sintomas de Alzheimer.

O grupo sul-coreano BTS, que se apresentou em São Paulo em novembro de 2023, tem atraído uma base de fãs surpreendente e dedicada: mulheres com mais de 60 anos. Essas fãs, que se autodenominam ARMY, encontram no grupo uma fonte de alegria, comunidade e propósito, desafiando estereótipos sobre o envelhecimento e o consumo de cultura pop.

Eliette Amaral, de 63 anos, conta que o convite para uma festa de fã-clube em 2022 foi o ponto de partida para sua imersão no universo do BTS. Inicialmente envergonhada por ser a mais velha, ela logo descobriu um grupo de amigas com interesses em comum. "É um bando de mulheres apaixonadas por sete meninos", resume. A aposentadoria e um período de depressão após a Covid-19 a levaram a buscar refúgio em doramas e, posteriormente, na música do BTS, cujas letras abordam temas como depressão e autoaceitação.

Acolhimento e combate ao etarismo

Para a neuropsicóloga Veruska Vasconcelos, especialista em gerontologia, o fandom pode oferecer um tipo de reconhecimento que nem sempre é encontrado na família. "Na família, aquela mulher talvez seja reconhecida principalmente como mãe, avó ou cuidadora. No fandom, ela pode ser reconhecida pelo que gosta, sabe, compartilha e descobre", explica.

Vasconcelos aponta que o etarismo, ou seja, o preconceito contra idosos, muitas vezes estabelece limites sociais para o entusiasmo, sugerindo que envelhecer significa abrir mão da curiosidade e da diversão. A participação no fandom do BTS, para essas mulheres, representa uma forma de quebrar essas barreiras e reafirmar sua vitalidade e seus desejos.

Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, descobriu o BTS por indicação do neto e se apaixonou instantaneamente. A realização do sonho de ir a um show, acompanhada pela neta Beatriz Horta, de 28 anos, gerou um vídeo viral e experiências inéditas para ambas.

Impacto terapêutico e novas experiências

Em Itapeva, interior de São Paulo, Maria Helena Loureiro dos Santos, de 67 anos, diagnosticada com Alzheimer em 2023, encontrou nos vídeos do BTS uma forma de acalmar seus episódios de agitação. "Eu acho que o BTS está acalmando a vó", relatam as netas. A filha, Luana Loureiro Leme, de 43 anos, considera o grupo um apoio terapêutico para si mesma e para a mãe, que se acalma ao assistir às apresentações.

Embora a especialista Veruska Vasconcelos seja cautelosa ao afirmar que o fandom melhora a memória ou previne demência, ela reconhece que aprender letras, idiomas e usar ferramentas digitais mobiliza habilidades cognitivas. A neuropsicóloga também alerta para riscos como gastos excessivos e golpes, mas ressalta que o interesse musical não deve justificar vigilância ou restrição da autonomia.

Eliette, que planeja fazer sua primeira tatuagem de baleia (símbolo de uma música do BTS) após o show, vê essa nova fase como uma libertação. "Naquela época era muito difícil uma mulher ter tatuagem. Agora eu estou me libertando", afirma, exemplificando a renovação e o empoderamento que o fandom proporciona a essas fãs.

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