Vida & SaúdeRelevância BR: 9/10

Movimentos do bebê na gestação não machucam a mãe, mas causam dor

30 de outubro de 2026
Movimentos do bebê na gestação não machucam a mãe, mas causam dor

Destaques

  • •Movimentos do bebê durante a gestação são absorvidos por camadas de proteção materna, impedindo lesões físicas.
  • •A dor intensa sentida pela mãe, especialmente no final da gravidez, é resultado de alterações anatômicas e hormonais.
  • •Sinais de alerta como dores agudas persistentes, sangramento ou contrações exigem avaliação médica imediata.

Os chutes e giros bruscos do bebê durante a gestação, embora possam causar desconforto e dores intensas, não têm capacidade física de machucar ou lesionar os órgãos internos da mãe. O corpo feminino dispõe de um sistema anatômico de proteção composto por múltiplas camadas que absorvem e dissipam o impacto dos movimentos fetais.

Essa estrutura protetora é formada pelo líquido amniótico, pelas membranas, pela parede muscular do útero e pela camada abdominal. A ginecologista e obstetra Marcelle Thimoti explica que o líquido amniótico amortece o movimento do bebê e distribui a força do impacto, enquanto a parede do útero, por ser muscular, elástica e resistente, absorve boa parte da energia. O resultado é que a força que chega aos demais órgãos é muito pequena, preservando a integridade física materna.

Por que a dor se intensifica no final da gestação?

A sensação de dor se intensifica nos últimos meses de gravidez devido ao crescimento fetal e às transformações anatômicas necessárias para acomodar o bebê. O aumento do útero comprime órgãos vizinhos, empurra o diafragma e força a abertura das costelas. Esse processo é amplificado pela ação do hormônio relaxina, que torna ligamentos e articulações mais frouxos.

A fisioterapeuta pélvica Nathalia Andreotta destaca que a parede abdominal passa por mudanças profundas, como a separação dos músculos reto-abdominais, conhecida como diástase, que atinge até 100% das gestantes no final da gestação. Estudos indicam que maior diástase está associada a mais dor lombar e maior impacto nas atividades diárias, pois quanto mais fracos os músculos abdominais, maior a instabilidade.

Posicionamento do bebê e outros fatores de dor

A dor sob as costelas ou na região púbica também está associada ao posicionamento do feto. Quando o bebê está em posição cefálica (de cabeça para baixo), os chutes se concentram na parte alta do abdômen. Já na posição pélvica (sentado), a pressão atinge a pelve e a bexiga.

Cirurgias prévias, como cesáreas, também podem gerar cicatrizes e aderências que diminuem a elasticidade do tecido, aumentando a sensação de repuxamento e desconforto.

Orientações para alívio e sinais de alerta

Para amenizar o desconforto postural e muscular, são recomendadas práticas que fortalecem a musculatura e promovem a mobilidade, como exercícios de estabilização, hidroginástica e mudanças frequentes de postura. O uso pontual de cintas elásticas flexíveis pode auxiliar no suporte da carga abdominal.

No entanto, a fisioterapeuta ressalta que não há garantias de que condutas posturais alterem a posição do feto para evitar pontos dolorosos. Apesar de o impacto fetal ser inofensivo aos tecidos, dores agudas não devem ser ignoradas. Desconfortos intensos localizados no alto do abdômen ou abaixo das costelas à direita podem sinalizar complicações graves, como a pré-eclâmpsia, especialmente se acompanhados de dor de cabeça, inchaço súbito ou alterações na visão.

“A dor causada pelo movimento do bebê costuma ser pontual e passageira. Diante de dores persistentes, sangramento, contrações ritmadas ou diminuição da movimentação fetal, a gestante deve procurar avaliação médica imediata”, alerta Marcelle Thimoti.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas