MP para médicos: testes ao longo do curso podem prejudicar a qualidade da medicina

Destaques
- •Medida Provisória propõe três testes para estudantes de medicina a partir de 2026.
- •Críticos alertam que a mudança pode transformar faculdades em cursinhos preparatórios, prejudicando a formação e o cuidado com o paciente.
- •A decisão final sobre a MP está nas mãos do presidente, com expectativa de votação em breve.
Uma Medida Provisória (MP 1.370/2026) em tramitação no Congresso Nacional propõe a obrigatoriedade de três testes ao longo do curso para médicos que ingressarem na faculdade a partir de junho de 2026, visando obter seu registro profissional. A medida, comparada ao sistema de registro de advogados, tem gerado forte debate no meio médico, com preocupações de que possa comprometer a qualidade da formação e, consequentemente, a medicina praticada no Brasil.
A crítica central parte de profissionais com longa experiência na área, que alertam para um possível erro na política de formação médica. Segundo eles, o aumento expressivo no número de faculdades de medicina no Brasil, que saltou de 80 para 494 em poucas décadas, associado à degradação da qualidade em algumas instituições, transformou a captação de alunos em um grande negócio. A MP, na visão dos críticos, pode agravar esse cenário.
Faculdades podem virar cursinhos preparatórios
A principal preocupação é que, com a introdução dos testes obrigatórios, as faculdades de medicina passem a focar seus currículos em preparar os alunos para essas avaliações. Em vez de priorizar o aprendizado aprofundado, o cuidado com o paciente e a pesquisa, o foco se deslocaria para a memorização e o treinamento de questões, transformando as salas de aula em cursinhos de aprovação em concurso. Isso, segundo os críticos, desvirtuaria o propósito da formação médica, que deveria ser um sacerdócio e um chamado, e não apenas uma busca por emprego ou status.
O temor é que, com a pressão para aprovar em testes, a dedicação ao aprendizado e ao cuidado com o paciente seja substituída pela busca por uma simples aprovação. A consequência seria a formação de médicos menos preparados para lidar com a complexidade da prática clínica e a relação médico-paciente, o que poderia levar o Brasil a ter uma das piores medicinas do mundo.
Comparativo internacional e o cenário brasileiro
O texto aponta que o Brasil possui um número desproporcionalmente alto de faculdades de medicina em comparação com outros países. Enquanto os Estados Unidos, com população maior, têm cerca de 195 instituições, e a China, com uma população sete vezes superior à brasileira, conta com apenas 160. Essa proliferação de cursos, aliada à queda na qualidade de algumas instituições, é vista como um dos fatores que levaram à atual discussão sobre a formação médica.
A MP 1.370/2026, se promulgada, afetará os médicos que ingressarem no curso a partir de junho de 2026. A decisão final sobre a aprovação ou veto da medida está nas mãos do presidente, e a expectativa é de que a votação ocorra em breve. Profissionais da área expressam esperança de que a MP seja vetada, a fim de evitar o que consideram uma potencial tragédia para a medicina brasileira.
Matérias originais
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