Movimento REPARA busca equidade racial no mercado de influenciadores digitais

Destaques
- •Iniciativa inédita visa combater desigualdades estruturais para criadores de conteúdo negros no Brasil.
- •Pesquisa aponta que criadores negros recebem 29% menos propostas comerciais e têm cachês 25% menores.
- •Meta é que criadores negros representem 50% dos profissionais em todas as faixas de audiência até 2030.
Um novo movimento, chamado REPARA, foi lançado no Brasil com o objetivo de promover a equidade racial no mercado de influência digital. Articulado pelo Grupo L’Oréal no Brasil, pela Spark e pelo MOVER (Movimento pela Equidade Racial), a iniciativa busca, a partir de 2026, criar um compromisso de longo prazo com metas e ações voltadas para enfrentar desigualdades estruturais que afetam criadores de conteúdo negros.
A proposta central é ampliar o acesso de criadores negros a oportunidades comerciais, garantir melhores condições de remuneração e fomentar parcerias duradouras com marcas. A iniciativa parte de uma pesquisa abrangente realizada em parceria com o Instituto MC15, que ouviu 16,2 mil participantes e identificou barreiras significativas enfrentadas por esses profissionais em suas carreiras.
Desigualdades nos números e percepções
Os resultados da pesquisa revelam disparidades em diversas etapas da jornada profissional. Criadores negros recebem, em média, 29% menos propostas comerciais que seus pares brancos. Essa diferença se acentua na participação em faixas de maior audiência: enquanto representam 59% dos criadores nano e micro, essa proporção cai para 38% entre os macro e top.
As dificuldades vão além do acesso inicial. Entre nano e micro criadores negros, 43% relatam problemas para que as marcas conheçam seu trabalho. Já entre os de médio e grande porte, 60% enfrentam obstáculos para firmar contratos de longo prazo. A diretora de Marketing e Digital do Grupo L’Oréal no Brasil, Loana Coelho, destacou que mesmo entre criadores com mais de 50 mil seguidores, o cachê médio dos negros é 25% menor.
Um dado preocupante é que um em cada cinco criadores negros sente que é contratado apenas para cumprir cotas de diversidade, o que pode levar a uma percepção de que a identidade racial se sobrepõe ao reconhecimento profissional. Apenas 8% da amostra total aborda diversidade e inclusão como tema principal de seus conteúdos.
Banco de talentos e capacitação como soluções
Diante desse cenário, o REPARA estabeleceu uma meta ambiciosa: que criadores de conteúdo negros representem pelo menos 50% dos profissionais em todas as faixas de audiência até 2030. Para isso, uma das principais ações será a criação de um banco colaborativo com mais de mil criadores negros de médio porte, desenvolvido em parceria com a Human Data.
Essa ferramenta visa facilitar a conexão entre marcas e esses profissionais, permitindo buscas por afinidade temática, identificação de conteúdos de alto engajamento e análise de potencial. Contudo, a presença no banco não garante contratação, mas amplia a visibilidade e as conexões comerciais.
O movimento também prevê iniciativas de capacitação, essenciais para o desenvolvimento profissional. Para nano e micro criadores, 48% apontam a necessidade de formação, equipamentos e mentoria. Já para os de médio porte, 49% priorizam acesso a networking, investimento e aproximação com agências. O programa Beleza + Diversa, do Grupo L’Oréal, que chega à sua terceira edição em 2026, oferecerá capacitação e selecionará talentos para contratos de um ano com a empresa.
Responsabilidade compartilhada e próximos passos
O sucesso do REPARA depende da colaboração de toda a cadeia de comunicação. Anunciantes são incentivados a incorporar a diversidade desde os briefings, agências a reverem seus processos de curadoria, e empresas de tecnologia e plataformas a ampliarem a distribuição de conteúdos. A meta é que o avanço seja medido não apenas pela quantidade de profissionais, mas também pelas condições de trabalho sustentáveis oferecidas.
A iniciativa busca transformar a economia dos criadores de conteúdo em um ecossistema mais justo e com oportunidades equitativas até 2030. A mobilização continuará em fóruns de mercado, como os Comitês da Associação Brasileira de Anunciantes e do MOVER, ao longo do ano.



