Morte em lua de mel: Alergia a camarão pode ser fatal; entenda os riscos

Destaques
- •Enfermeira brasileira morre em Portugal após reação alérgica grave a camarão, levantando alerta sobre anafilaxia.
- •Reações alérgicas a frutos do mar podem ser fatais devido à liberação de substâncias como histamina, causando queda de pressão e dificuldade respiratória.
- •Especialistas alertam para a importância do diagnóstico, prevenção e uso imediato de adrenalina em casos de anafilaxia.
A enfermeira brasileira Amanda Marinho Nascimento, de 28 anos, morreu em Portugal durante sua lua de mel após uma reação alérgica grave a camarão. O caso, ocorrido na quarta-feira (21), reacende o debate sobre os riscos da anafilaxia, uma emergência médica que pode ser fatal se não tratada rapidamente com adrenalina. Amanda, que morava no Distrito Federal, passou mal após almoçar em um restaurante, onde teria sido informada que o prato continha peixe, mas, segundo familiares, o alimento continha frutos do mar aos quais ela era alérgica.
A alergia a camarão ocorre quando o sistema imunológico identifica proteínas do crustáceo como uma ameaça, desencadeando a liberação de substâncias como a histamina. Em casos graves, essa liberação pode afetar múltiplos órgãos simultaneamente, levando à dilatação dos vasos sanguíneos com queda acentuada da pressão arterial, estreitamento das vias respiratórias, inchaço da garganta e língua, comprometimento da circulação sanguínea e, em último caso, parada cardiorrespiratória. Esse quadro é conhecido como choque anafilático e pode evoluir em poucos minutos.
O que pode desencadear uma reação fatal?
Pessoas com alergia alimentar mediada por anticorpos IgE podem apresentar reações graves mesmo que as anteriores tenham sido leves. Não é possível prever a intensidade de uma nova reação apenas por exames ou histórico. Uma pequena quantidade do alérgeno pode ser suficiente para desencadear um quadro grave, especialmente em casos de contato cruzado, onde o alimento entra em contato com utensílios, chapas ou óleos compartilhados no preparo.
Os sintomas de uma reação alérgica geralmente surgem entre poucos minutos e até duas horas após a ingestão. A maioria das reações ocorre nos primeiros 30 minutos. A presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Fátima Rodrigues Fernandes, alerta que não existe um intervalo seguro para aguardar a melhora espontânea em casos de anafilaxia, pois a liberação de substâncias inflamatórias pode comprometer a respiração e a circulação rapidamente.
Fatores de risco e prevenção
A alergia a camarão não é diretamente hereditária, mas pode haver uma predisposição familiar para desenvolver doenças alérgicas. Fatores como asma não controlada, histórico de anafilaxia, demora na administração de adrenalina, exercício físico e consumo de álcool podem aumentar o risco de reações graves. O sistema imunológico pode desenvolver uma sensibilização silenciosa, onde anticorpos IgE são produzidos sem sintomas imediatos, até que uma nova exposição desencadeie a reação.
Os principais sinais de alerta para anafilaxia incluem dificuldade para respirar, tosse persistente, voz rouca, sensação de garganta fechando, inchaço da língua, tontura intensa, desmaio ou fraqueza súbita, e vômitos repetidos. É importante notar que 10% a 20% dos episódios de anafilaxia podem ocorrer sem manifestações cutâneas visíveis, como manchas vermelhas ou coceira.
Tratamento e acesso à adrenalina no Brasil
O tratamento de primeira escolha para anafilaxia é a adrenalina administrada por via intramuscular na coxa. Caso a pessoa tenha uma caneta autoinjetável, deve utilizá-la imediatamente e acionar o serviço de emergência (Samu 192 no Brasil). Mesmo com a melhora dos sintomas após a aplicação, é fundamental buscar atendimento médico. Medicamentos antialérgicos, corticoides e broncodilatadores não substituem a adrenalina no tratamento da anafilaxia.
No Brasil, o acesso à adrenalina autoinjetável é um desafio. Os dispositivos não estão disponíveis em farmácias e dependem de importação, o que eleva os custos e dificulta a reposição. A rapidez no tratamento é decisiva para a sobrevivência. A especialista Yang ressalta que, embora casos como o de Amanda sejam trágicos, devem servir para ampliar a informação sobre prevenção e atendimento, focando em "saber reconhecer e agir" em vez de gerar medo desnecessário.



