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Morte de Daniel Corrêa: Oito anos após o crime, família relata dor e detalhes chocantes

29 de outubro de 2026
Morte de Daniel Corrêa: Oito anos após o crime, família relata dor e detalhes chocantes

Destaques

  • •O caso do jogador Daniel Corrêa, brutalmente assassinado em 2018, completa oito anos, com a família ainda lidando com o luto e detalhes macabros do crime.
  • •A reportagem detalha a noite da festa, a agressão sofrida pelo jogador e as conclusões da polícia sobre o assassinato e a mutilação.
  • •O julgamento em 2024 resultou na condenação de Edison Brittes a 42 anos, enquanto outros envolvidos foram absolvidos ou pegaram penas menores.

Oito anos após o brutal assassinato do jogador Daniel Corrêa Freitas, o caso que chocou o Brasil em outubro de 2018 volta a ser lembrado. Na época, enquanto o país acompanhava a eleição presidencial, a família do atleta, revelado pelo Botafogo e com passagens por São Paulo e Coritiba, mergulhava em um pesadelo. Daniel, então com 24 anos e emprestado ao São Bento, foi encontrado morto em uma região de mata em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

A angústia da família começou quando Dona Eliana Aparecida Corrêa, mãe de Daniel, perdeu contato com o filho, que havia ido a uma festa de aniversário em Curitiba. As tentativas de contato falharam, e a família, após muita apreensão, descobriu que Daniel havia participado do aniversário de 18 anos de Allana Brittes. Inicialmente, Allana informou que Daniel havia ido embora de Uber, uma informação que mais tarde se revelou falsa, segundo o primo e amigo de Daniel, Henrique Salmaso.

O crime e a identificação da vítima

A busca pelo jogador levou um de seus primos a contatar hospitais e o Instituto Médico Legal (IML). No IML, a descrição de um corpo não identificado encontrado na manhã de sábado, 27 de outubro, batia com as características de Daniel: um rapaz branco, de aproximadamente 25 anos, sem tatuagens. A confirmação veio ao notar uma cicatriz no joelho direito, resultado de uma grave lesão que o jogador vinha tratando.

O corpo de Daniel estava desfigurado, com um extenso ferimento na região cervical, que praticamente separou a cabeça do pescoço, restando apenas três centímetros de pele íntegra. Além disso, houve a amputação peniana total, com o órgão genital encontrado em uma árvore próxima. O laudo pericial constatou a causa da morte como hemorragia externa provocada pelo corte no pescoço.

A carreira e as lesões de Daniel Corrêa

Nascido em Juiz de Fora, Daniel Corrêa despontou nas categorias de base do Cruzeiro e depois no Botafogo, onde subiu para o profissional em 2013. Em 2014, marcou um hat-trick na goleada por 6 a 0 sobre o Criciúma. No entanto, sua carreira foi marcada por uma grave lesão no joelho direito em 2014, seguida por uma nova ruptura do mesmo ligamento em 2015. Essas lesões crônicas o acompanharam em passagens por São Paulo, Coritiba e Ponte Preta, limitando seu desempenho e causando dores constantes.

Seu último clube foi o São Bento. Naquele fatídico fim de semana de eleições, a equipe tinha folga, e Daniel aproveitou para ir a Curitiba. A diretoria do clube havia estendido o período de folga após uma vitória, mas quando o time se reapresentou, Daniel já estava morto.

O desenrolar dos fatos e o julgamento

A investigação policial apontou que Daniel, após a festa, foi para a casa da família Brittes em São José dos Pinhais. Na residência, ele entrou na suíte onde Cristiana Brittes, mãe de Allana, dormia. Daniel enviou fotos e um áudio para um primo, relatando a situação inusitada. Cristiana alegou ter sido estuprada, mas as investigações não comprovaram a acusação, embora o jogador tenha importunado a mulher.

Ao perceber a situação pela janela, Edison Luiz Brittes Junior, o "Juninho Riqueza", pai de Allana, iniciou uma agressão contra Daniel, com a participação de outros três homens. Após um brutal espancamento, Daniel foi arrastado para o porta-malas de um carro. Segundo testemunhas, Edison o levou para uma região de mata, cortou seu pescoço e amputou seu órgão genital.

O caso resultou no indiciamento de sete pessoas. Em março de 2024, após júri popular, Edison Luiz Brittes Junior foi condenado a 42 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e outros crimes. Allana Brittes foi condenada a sete anos e nove meses de reclusão por coação no curso de processo e fraude processual. Cristiana Brittes pegou um ano e seis meses por fraude processual e corrupção de menores. David Willian Vollero, Eduardo Henrique Ribeiro, Ygor King e Evellyn Brisola Perusso foram absolvidos das acusações.

Edison Brittes é o único que permanece preso, na Penitenciária Estadual de Piraquara, no Paraná. Para a família de Daniel, a justiça, mesmo com a condenação, não apaga a dor da perda.

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