Acariciar cães antes de um desafio reduz impacto fisiológico do estresse

Destaques
- •Estudo austríaco sugere que o contato físico com cães pode atenuar respostas corporais a futuros estressores.
- •A interação com animais durante pausas em testes de estresse resultou em menores sinais fisiológicos de tensão na segunda rodada.
- •Pesquisadores buscam entender como o toque em pets influencia o bem-estar e a regulação do organismo humano.
Um estudo publicado na revista Biological Psychology, conduzido por pesquisadores da Universidade de Innsbruck, na Áustria, revelou que acariciar um cachorro por alguns minutos pode influenciar positivamente a forma como o organismo reage a uma situação estressante futura. A pesquisa observou respostas fisiológicas menores ao estresse em tutores que interagiram fisicamente com seus cães antes de enfrentar uma nova rodada de testes.
O achado mais notável é que o contato com os cães não acelerou a recuperação imediata dos participantes após a primeira situação de pressão. A diferença significativa surgiu quando os voluntários precisaram enfrentar um segundo desafio. Especialistas apontam que tutores buscam instintivamente o toque em seus animais para amenizar ameaças futuras, um comportamento que pode ter bases fisiológicas.
Como o estresse foi provocado no experimento
O experimento envolveu 64 tutores adultos de cães saudáveis, com idade média de 34,1 anos. Para induzir estresse, os participantes foram submetidos a tarefas de conhecimentos gerais com tempo limitado e a exercícios matemáticos com contagens regressivas, enquanto um avaliador remoto fazia comentários negativos. As reações fisiológicas foram monitoradas por eletrocardiograma (ECG) e eletroencefalograma (EEG), que registraram a atividade elétrica do coração e do cérebro, respectivamente. Esses equipamentos permitiram observar mudanças fisiológicas que nem sempre correspondem à percepção subjetiva do estresse.
Após uma primeira rodada de testes, os participantes tiveram uma pausa de cinco minutos. Metade deles pôde interagir fisicamente com seus cães, enquanto a outra metade ficou sem acesso aos animais. Em seguida, todos foram submetidos a uma segunda rodada de testes, permitindo a comparação dos efeitos.
O efeito do toque na segunda rodada de pressão
Os primeiros exercícios estressantes provocaram as alterações fisiológicas esperadas, como aumento da frequência cardíaca e diminuição da variabilidade da frequência cardíaca, que avalia a regulação do organismo. Os registros cerebrais também mostraram supressão das ondas alfa (associadas ao relaxamento) e aumento da atividade das ondas beta (indicando maior ativação cognitiva).
A comparação entre as duas etapas do experimento revelou o principal achado: os participantes que tocaram seus cães durante a pausa apresentaram sinais fisiológicos menores de estresse na segunda rodada. Isso sugere que a interação com o cão, embora não acelerasse a recuperação imediata, esteve associada a uma resposta corporal mais branda diante de uma nova situação de pressão. Os pesquisadores resumiram a observação indicando que “tocar o próprio cão atenua o impacto corporal de um fator estressante futuro”.
O que o toque pode explicar na relação humano-animal
O estudo investiga um aspecto específico da relação entre humanos e animais, focando no contato físico como um fator isolado. Pesquisas anteriores já associavam a convivência com pets ao bem-estar geral, mas o toque raramente era analisado separadamente de outras interações. A equipe também notou uma discrepância entre as medições fisiológicas e os relatos subjetivos dos participantes, indicando que a percepção consciente do estresse nem sempre reflete todas as alterações corporais.
Os autores consideram que o toque pode ser uma das vias pelas quais futuras situações de pressão provocam uma resposta corporal menos intensa. Contudo, como o experimento avaliou um grupo específico de tutores em uma situação controlada, os resultados não garantem que acariciar um cão produza o mesmo efeito em todas as pessoas ou circunstâncias. A descoberta central é que a interação com o cão antes de um novo desafio esteve associada a um impacto fisiológico menor.
Matérias originais
- Acariciar o seu cão ajuda a proteger o corpo contra o estresse diário · olhardigital.com.br


