Morre Benito di Paula, ícone do samba romântico, aos 84 anos

Destaques
- •O cantor e pianista Benito di Paula faleceu aos 84 anos, vítima de câncer de próstata.
- •O câncer de próstata é o segundo tumor mais comum no Brasil entre homens, com alta incidência e risco aumentado para negros e maiores de 60 anos.
- •A identificação da doença é feita por exames de rastreio anuais a partir dos 50 anos, ou 45 com histórico familiar, e o diagnóstico pode ser confirmado por biópsia.
O cantor e pianista Benito di Paula, um dos grandes nomes do samba romântico brasileiro, morreu neste domingo (18/10), aos 84 anos. A causa da morte foi um câncer de próstata, doença contra a qual o artista lutava há cerca de um ano. Ele chegou a ser levado ao Hospital Nove de Julho, em São Paulo, após passar mal no fim da tarde, mas não resistiu.
Benito di Paula construiu uma carreira marcada por sucessos como "Charlie Brown", "Se Não For Amor" e "Vai Ficar na Saudade", "Retalhos de Cetim", entre outros. Lançou em 2020 o álbum "O Infalível Zen", em parceria com seu filho Rodrigo Vellozo, que também seguiu carreira na música. O artista ganhou projeção nacional com seus sambas românticos.
O que é o câncer de próstata
O câncer de próstata é o tumor com maior incidência entre os homens e o segundo mais comum no Brasil, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, segundo o Ministério da Saúde. Geralmente, a doença começa de forma silenciosa, crescendo lentamente e, em muitos casos, não chega a ameaçar a saúde do homem durante a vida. No entanto, em outras situações, pode crescer rapidamente, se espalhar para outros órgãos e levar à morte.
Pessoas negras e homens com mais de 60 anos fazem parte do grupo de maior risco para a doença. Fatores como obesidade e histórico familiar também podem estar relacionados ao seu desenvolvimento. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2026 aponta que 77.920 homens devem ser diagnosticados até o final do ano.
Sintomas e diagnóstico
O urologista Fernando Sabino, do Hospital Santa Lúcia, explica que o câncer de próstata costuma ser assintomático no início. Contudo, alguns sintomas urinários podem surgir, como dificuldade para urinar ou redução do jato de urina.
A identificação da doença é usualmente feita por meio de exames de rastreio. Estes são indicados anualmente para homens acima dos 50 anos. Para aqueles com histórico familiar da doença, o rastreio deve começar aos 45 anos.
O diagnóstico pode ser realizado com exames de PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue, que é uma glicoproteína secretada no líquido seminal, e o exame de toque retal, que permite identificar crescimentos anormais na próstata. Exames de imagem, como a ressonância magnética, também podem ser utilizados. A confirmação definitiva da presença do câncer é feita por meio de biópsia.
Classificação da doença
Segundo o urologista Alexandre Iscaife, do Hospital das Clínicas da USP, o câncer de próstata é dividido em três formas de acordo com o diagnóstico: de baixo risco ou baixa agressividade; risco intermediário ou de agressividade intermediária; e de alto risco ou muito agressiva. Essa classificação é baseada na biópsia.
"A vasta maioria, ao redor de 90% dos tumores, é de baixo risco ou risco intermediário", afirma Iscaife. Os cânceres altamente agressivos são minoria, mas, quando diagnosticados, frequentemente já estão em metástase. Os tumores na próstata podem se espalhar para os gânglios linfáticos e, posteriormente, para os ossos. Em casos muito raros, podem progredir para outros órgãos como fígado, pulmão e até o cérebro.



